Anunciar a alegria da fé

A partir do coração do evangelho

6. Julho. 2016

Qual é o coração do Evangelho? Sinto a misericórdia de Deus? Na prática diária, a minha paróquia irradia a beleza do amor de Deus? A misericórdia é o motor da vida paroquial? Como estou a viver o Ano Santo da Misericórdia?

A «pastoral em chave missionária» (cf. tema 29) também se aplica à «maneira de comunicar a mensagem» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 34). Por conseguinte, a paróquia missionária acolhe com alegria o convite do papa Francisco a um regresso simples e sincero à mensagem de Jesus Cristo, à frescura original do Evangelho. Ela aprende a «exprimir mais diretamente o coração do Evangelho», ou seja, «a beleza do amor salvífico de Deus manifestado em Jesus Cristo morto e ressuscitado» (EG 36). Esta «beleza do amor» revela-se de forma primordial na misericórdia, «a maior de todas as virtudes» (EG 37), como lhe chama São Tomás de Aquino. Neste sentido, «é importante tirar as consequências pastorais» (EG 38) relativas à prática da misericórdia, para não correr o risco de «mutilar a integridade da mensagem do Evangelho» (EG 39).

Anunciar o essencial

A paróquia missionária preocupa-se em valorizar o «núcleo essencial do Evangelho», pois é este «que lhe confere sentido, beleza e fascínio». Por isso, está atenta para não deixar que a mensagem seja reduzida «a alguns dos seus aspetos secundários». Aqui, «o problema maior ocorre quando a mensagem que anunciamos parece então identificada com tais aspetos secundários, que, apesar de serem relevantes, por si sozinhos não manifestam o coração da mensagem de Jesus Cristo» (EG 34). Todavia, o anúncio do essencial não consiste em «insistir» ou «impor» uma «imensidade de doutrinas». A paróquia missionária «concentra-se no essencial, no que é mais belo, mais importante, mais atraente e, ao mesmo tempo, mais necessário». Este «estilo missionário» simplifica a mensagem e em nada perde «profundidade e verdade», antes «se torna mais convincente e radiosa» (EG 35). Ora, «o Evangelho convida, antes de tudo, a responder a Deus que nos ama e salva, reconhecendo-O nos outros e saindo de nós mesmos para procurar o bem de todos. […] Se tal convite não refulge com vigor e fascínio, o edifício moral da Igreja corre o risco de se tornar um castelo de cartas, sendo este o nosso pior perigo; é que, então, não estaremos propriamente a anunciar o Evangelho, mas algumas acentuações doutrinais ou morais, que derivam de certas opções ideológicas. A mensagem correrá o risco de perder o seu frescor e já não ter ‘o perfume do Evangelho’» (EG 39).

Ano Santo da Misericórdia

A misericórdia ocupa um lugar especial na vida do papa Francisco. O seu lema episcopal é disso uma prova clara: «olhou-o com misericórdia e escolheu-o» (em latim, «miserando atque eligendo»). Esta frase é retirada de uma homilia de São Beda, o Venerável, para comentar o episódio evangélico do chamamento de Mateus. Na primeira alocução do «Angelus», a 17 de março de 2013, afirmou: «Irmãos e irmãs, o rosto de Deus é o de um pai misericordioso, que sempre tem paciência. Já pensastes na paciência de Deus, na paciência que Ele tem com cada um de nós? É a sua misericórdia. Sempre tem paciência, tanta paciência connosco: compreende-nos, está à nossa espera; não se cansa de nos perdoar, se soubermos voltar para Ele com o coração contrito. ‘Grande é a misericórdia do Senhor’, diz o Salmo.[…] A melhor sensação que podemos ter é sentir misericórdia: esta palavra muda tudo, muda o mundo. Um pouco de misericórdia torna o mundo menos frio e mais justo. Precisamos de compreender bem esta misericórdia de Deus, este Pai misericordioso que tem tanta paciência» (bit.ly/Angelus17032013). Depois, no dia em que completava dois anos de pontificado (13 de março de 2015) declarou: «Queridos irmãos e irmãs, pensei muitas vezes no modo como a Igreja pode tornar mais evidente a sua missão de ser testemunha da misericórdia. É um caminho que começa com uma conversão espiritual; e devemos percorrer este caminho. Por isso decidi proclamar um Jubileu extraordinário que tenha no seu centro a misericórdia de Deus. Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: «Sede misericordiosos como o Pai» (cf. Lucas 6, 36). […] Este Ano Santo terá início na próxima solenidade da Imaculada Conceição [8 de dezembro de 2015] e concluir-se-á a 20 de novembro de 2016, Domingo de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo e rosto vivo da misericórdia do Pai» (bit.ly/Francisco13032015). Na «Alegria do Evangelho», a palavra «misericórdia» aparece 30 vezes.

Qual é o coração do Evangelho? Sinto a misericórdia de Deus? Na prática diária, a minha paróquia irradia a beleza do amor de Deus? A misericórdia é o motor da vida paroquial? Como estou a viver o Ano Santo da Misericórdia?