Anunciar a alegria da fé

Adoração e celebração

29. Junho. 2016

O papa Francisco assume, no número 260, que a EG não trata os temas da «adoração eucarística ou da celebração da fé». E remete para «outros textos do Magistério e escritos célebres de grandes autores», considerando-os «preciosos», pelo que não pretende «substituir nem superar tanta riqueza». Por conseguinte, e porque nos propusemos seguir os conteúdos da EG, enriquecidos em alguns casos com o Documento de Aparecida (DAp), vamos abordar a «força evangelizadora da piedade popular».

A paróquia missionária é «âmbito para […] a adoração e a celebração» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 28). O papa Francisco assume, no número 260, que a EG não trata os temas da «adoração eucarística ou da celebração da fé». E remete para «outros textos do Magistério e escritos célebres de grandes autores», considerando-os «preciosos», pelo que não pretende «substituir nem superar tanta riqueza». Por conseguinte, e porque nos propusemos seguir os conteúdos da EG, enriquecidos em alguns casos com o Documento de Aparecida (DAp), vamos abordar a «força evangelizadora da piedade popular». Esta insere-se no processo de «inculturação» do Evangelho: «Cada porção do povo de Deus, ao traduzir na vida o dom de Deus segundo a sua índole própria, dá testemunho da fé recebida e enriquece-a com novas expressões que falam por si» (EG 122).

Piedade popular

A paróquia missionária assume que os povos, «nos quais foi inculturado o Evangelho, são sujeitos coletivos ativos, agentes da evangelização». Neste sincero apreço pela cultura do povo entronca «a piedade popular, verdadeira expressão da atividade missionária espontânea do povo de Deus. Trata-se de uma realidade em permanente desenvolvimento, cujo protagonista é o Espírito Santo» (EG 122). Segundo os Bispos da América Latina e do Caribe, a piedade popular engloba «as festas patronais, as novenas, os rosários e via-sacras, as procissões, as danças e os cânticos do folclore religioso, o carinho aos santos e aos anjos, as promessas, as orações em família. Destacamos as peregrinações onde é possível reconhecer o Povo de Deus a caminho. Aí o cristão celebra a alegria de se sentir imerso em meio a tantos irmãos, caminhando juntos para Deus que os espera» (DAp 259).

Piedade popular: revalorização

O papa Francisco recorda que a piedade popular foi «vista por vezes com desconfiança». Mas o II Concílio do Vaticano proporcionou a sua «revalorização», nomeadamente com o «impulso decisivo» de Paulo VI, na Exortação Apostólica («Evangelii Nuntiandi») sobre a evangelização no mundo contemporâneo. «Nela explica que a piedade popular ‘traduz em si uma certa sede de Deus, que somente os pobres e os simples podem experimentar’ e ‘torna as pessoas capazes para terem rasgos de generosidade e predispõe-nas para o sacrifício até ao heroísmo, quando se trata de manifestar a fé’. Já mais perto dos nossos dias, Bento XVI, na América Latina, assinalou que se trata de um ‘precioso tesouro da Igreja Católica’ e que nela ‘aparece a alma dos povos’» (EG 123). Recuperando os conteúdos do Documento de Aparecida, o Papa recorda que a piedade popular «não é vazia de conteúdos, mas descobre-os e exprime-os mais pela via simbólica do que pelo uso da razão instrumental […]. É ‘uma maneira legítima de viver a fé, um modo de se sentir parte da Igreja e uma forma de ser missionários’; comporta a graça da missionariedade, do sair de si e do peregrinar […]. Não coarctemos nem pretendamos controlar esta força missionária!». Por isso, pode ser designada como «espiritualidade popular» ou «mística popular». «Trata-se de uma verdadeira ‘espiritualidade encarnada na cultura dos simples’» (EG 124).

Piedade popular: força evangelizadora

A paróquia missionária acolhe a piedade popular «com o olhar do Bom Pastor, que não procura julgar mas amar». Compreende que só a partir do «amor é que podemos apreciar a vida teologal presente na piedade dos povos cristãos, especialmente nos pobres». E as simples expressões de um povo não podem ser vistas «unicamente como uma busca natural da divindade; são a manifestação duma vida teologal animada pela ação do Espírito Santo, que foi derramado em nossos corações (cf. Romanos 5, 5)» (EG 125). A este propósito, convém recordar que «há certo cristianismo feito de devoções – próprio duma vivência individual e sentimental da fé – que, na realidade, não corresponde a uma autêntica ‘piedade popular’» (EG 70). O Papa conclui que «na piedade popular, por ser fruto do Evangelho inculturado, subjaz uma força ativamente evangelizadora que não podemos subestimar: seria ignorar a obra do Espírito Santo. Ao contrário, somos chamados a encorajá-la e fortalecê-la para aprofundar o processo de inculturação, que é uma realidade nunca acabada. As expressões da piedade popular têm muito que nos ensinar e, para quem as sabe ler, são um lugar teológico a que devemos prestar atenção particularmente na hora de pensar a nova evangelização» (EG 126).

O que é a piedade popular? Como é assumida e acompanhada na minha paróquia? É valorizada ou ignorada?