Anunciar a alegria da fé

Âmbito para a escuta da palavra [1]

20. Junho. 2016

O segundo tópico apresentado pelo papa Francisco, no número 28 da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), define a paróquia como «âmbito para a escuta da Palavra». Tendo por base os números 135 a 159, 174 e 175 da mesma Exortação, vamos dedicar três temas a aprofundar a escuta da Palavra de Deus no âmbito da paróquia missionária. Nesses números, o papa Francisco começa por destacar a importância evangelizadora da homilia.

O segundo tópico apresentado pelo papa Francisco, no número 28 da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), define a paróquia como «âmbito para a escuta da Palavra». Tendo por base os números 135 a 159, 174 e 175 da mesma Exortação, vamos dedicar três temas a aprofundar a escuta da Palavra de Deus no âmbito da paróquia missionária. Nesses números, o papa Francisco começa por destacar a importância evangelizadora da homilia. Antes de mais, a homilia pode ser «uma experiência intensa e feliz do Espírito, um consolador encontro com a Palavra, uma fonte constante de renovação e crescimento» (EG 135). Assim, pede aos pastores: «renovemos a nossa confiança na pregação, que se funda na convicção de que é Deus que deseja alcançar os outros através do pregador e de que Ele mostra o seu poder através da palavra humana» (EG 136).

Homilia: experiência intensa e feliz do Espírito

A homilia «supera toda a catequese por ser o momento mais alto do diálogo entre Deus e o seu povo, antes da comunhão sacramental. […] Aquele que prega deve conhecer o coração da sua comunidade para identificar onde está vivo e ardente o desejo de Deus e também onde é que este diálogo de amor foi sufocado ou não pôde dar fruto» (EG 137). A paróquia missionária recorda aos seus pastores que «a homilia não pode ser um espetáculo de divertimento, não corresponde à lógica dos recursos mediáticos, mas deve dar fervor e significado à celebração. […] Deve ser breve e evitar que se pareça com uma conferência ou uma lição». Uma homilia longa «lesa duas características da celebração litúrgica: a harmonia entre as suas partes e o seu ritmo». Prejudica o ritmo que encaminha «para uma comunhão com Cristo na Eucaristia, que transforme a vida» (EG 138).

Homilia: consolador encontro com a Palavra

A paróquia missionária pede aos pastores para interiorizarem que «a Igreja é mãe e prega ao povo como uma mãe fala ao seu filho, sabendo que o filho tem confiança de que tudo o que se lhe ensina é para seu bem, porque se sente amado». Ora, «assim como todos gostamos que nos falem na nossa língua materna, assim também, na fé, gostamos que nos falem em termos da ‘cultura materna’, em termos do idioma materno, e o coração dispõe-se a ouvir melhor. Esta linguagem é uma tonalidade que transmite coragem, inspiração, força, impulso» (EG 139). «Este âmbito materno-eclesial, onde se desenrola o diálogo do Senhor com o seu povo, deve ser encarecido e cultivado através da proximidade cordial do pregador, do tom caloroso da sua voz, da mansidão do estilo das suas frases, da alegria dos seus gestos» (EG 140). A paróquia missionária ajuda os pastores a perceber que «um diálogo é muito mais do que a comunicação duma verdade. Realiza-se pelo prazer de falar e pelo bem concreto que se comunica através das palavras entre aqueles que se amam». Por conseguinte, «a pregação puramente moralista ou doutrinadora e também a que se transforma numa lição de exegese reduzem esta comunicação entre os corações» (EG 142). Neste sentido, não se pode ignorar que a homilia «consiste em transmitir a síntese da mensagem evangélica, e não ideias ou valores soltos. […] O pregador tem a belíssima e difícil missão de unir os corações que se amam: o do Senhor e os do seu povo» (EG 143). Por isso, o Papa recorda que «a identidade cristã, que é aquele abraço batismal que o Pai nos deu em pequeninos, faz-nos anelar, como filhos pródigos – e prediletos em Maria –, pelo outro abraço, o do Pai misericordioso que nos espera na glória. Fazer com que o nosso povo se sinta, de certo modo, no meio destes dois abraços é a tarefa difícil, mas bela, de quem prega o Evangelho» (EG 144). O melhor método é seguir o modelo de Jesus Cristo, «naquele seu olhar o povo mais além das suas fraquezas e quedas […]. Jesus prega com este espírito. […] O Senhor compraz-Se verdadeiramente em dialogar com o seu povo, e compete ao pregador fazer sentir este gosto do Senhor ao seu povo» (EG 141). Por isso, não basta «saber o que devem dizer»; é necessário também cuidar «o como, a forma concreta de desenvolver uma pregação» (156). «Um dos esforços mais necessários é aprender […] a falar por imagens» (EG 157), com uma linguagem «positiva» (EG 159) dominada pela «simplicidade» e pela «clareza» (EG 158).

Segundo o Papa, quais sãos as principais características da homilia? É isso que se verifica na nossa paróquia? O que é que não pode ser uma homilia? Existe uma verdadeira preocupação com a linguagem utilizada na pregação? Partilho a minha avaliação com o pregador? O que é preciso melhorar?