Anunciar a alegria da fé

Âmbito para a escuta da palavra [3]

22. Junho. 2016

«A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus, e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante pessoal e comunitária».

«A evangelização requer a familiaridade com a Palavra de Deus, e isto exige que as dioceses, paróquias e todos os grupos católicos proponham um estudo sério e perseverante da Bíblia e promovam igualmente a sua leitura orante pessoal e comunitária». Neste fragmento retirado do número 175 da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) estão elencados os dois pontos que vamos abordar: «Estudo sério e perseverante da Bíblia» (EG 174-175); «Leitura orante pessoal e comunitária» (EG 152-153). Este tema é o terceiro (e último) dedicado à paróquia missionária como «âmbito para a escuta da Palavra». Limitamo-nos ao essencial das indicações do papa Francisco na EG. Outros tópicos, ainda que pertinentes, não são referidos neste itinerário. Queremos contribuir para fazer ecoar o convite do Papa: «Acolhamos o tesouro sublime da Palavra revelada!» (EG 175).

Estudo sério e perseverante da Bíblia

O papa Francisco deseja que o estudo da Sagrada Escritura seja «uma porta aberta para todos os crentes» (EG 175). E lembra que «Palavra escutada, meditada, vivida, celebrada e testemunhada» é o fundamento de qualquer processo evangelizador. «A Sagrada Escritura é fonte da evangelização. Por isso, é preciso formar-se continuamente na escuta da Palavra. A Igreja não evangeliza, se não se deixa continuamente evangelizar. É indispensável que a Palavra de Deus ‘se torne cada vez mais o coração de toda a atividade eclesial’» (EG 174). Por isso, «é fundamental que a Palavra revelada fecunde radicalmente a catequese e todos os esforços para transmitir a fé» (EG 175). Depois, «a Palavra de Deus ouvida e celebrada, sobretudo na Eucaristia, alimenta e reforça interiormente os cristãos e torna-os capazes de um autêntico testemunho evangélico na vida diária» (EG 174).

Leitura orante pessoal e comunitária

A paróquia missionária reconhece não só a importância do estudo, mas também da «leitura orante» («lectio divina») da Palavra de Deus. «Consiste na leitura da Palavra de Deus num tempo de oração, para lhe permitir que nos ilumine e renove». É a melhor maneira para «escutarmos aquilo que o Senhor nos quer dizer na sua Palavra e nos deixarmos transformar pelo Espírito» (EG 152). Entretanto, o papa Francisco alerta para algumas tentações: «Uma delas é simplesmente sentir-se chateado e acabrunhado e dar tudo por encerrado; outra tentação muito comum é começar a pensar naquilo que o texto diz aos outros, para evitar de o aplicar à própria vida. Acontece também começar a procurar desculpas, que nos permitam diluir a mensagem específica do texto. Outras vezes pensamos que Deus nos exige uma decisão demasiado grande, que ainda não estamos em condições de tomar. Isto leva muitas pessoas a perderem a alegria do encontro com a Palavra» (EG 153). Quais são os passos fundamentais da «leitura orante»? A «lectio divina», segundo o papa Bento XVI, «começa com a leitura (‘lectio’) do texto, que suscita a interrogação sobre um autêntico conhecimento do seu conteúdo: o que diz o texto bíblico em si? Sem este momento, corre-se o risco que o texto se torne somente um pretexto para nunca ultrapassar os nossos pensamentos. Segue-se depois a meditação (‘meditatio’), durante a qual nos perguntamos: que nos diz o texto bíblico? Aqui cada um, pessoalmente mas também como realidade comunitária, deve deixar-se sensibilizar e pôr em questão, porque não se trata de considerar palavras pronunciadas no passado, mas no presente. Sucessivamente chega-se ao momento da oração (‘oratio’), que supõe a pergunta: que dizemos ao Senhor, em resposta à sua Palavra? A oração enquanto pedido, intercessão, ação de graças e louvor é o primeiro modo como a Palavra nos transforma. Finalmente, a ‘lectio divina’ conclui-se com a contemplação (‘contemplatio’), durante a qual assumimos como dom de Deus o seu próprio olhar, ao julgar a realidade, e interrogamo-nos: qual é a conversão da mente, do coração e da vida que o Senhor nos pede? […] Aqui a Palavra de Deus aparece como critério de discernimento […]. Há que recordar ainda que a ‘lectio divina’ não está concluída, na sua dinâmica, enquanto não chegar à ação (‘actio’), que impele a existência do fiel a doar-se aos outros na caridade» (Exortação Apostólica pós-sinodal sobre a Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja, 87).

O que é a leitura orante («lectio divina») da Palavra de Deus? Quais são os passos fundamentais? Participo num grupo de oração ou de estudo da Sagrada Escritura? Sei o que significa «a animação bíblica da pastoral»? Conheço paróquias missionárias comprometidas no «âmbito da escuta da Palavra»?