Anunciar a alegria da fé

Caridade generosa [3]

28. Junho. 2016

O terceiro tema dedicado à paróquia missionária como «âmbito para […] a caridade generosa» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 28) aborda três pontos: «cuidar da fragilidade» (EG 209-216); o bem comum e a paz social (EG 217-237); o diálogo social como contributo para a paz (EG 238-257).

O terceiro tema dedicado à paróquia missionária como «âmbito para […] a caridade generosa» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 28) aborda três pontos: «cuidar da fragilidade» (EG 209-216); o bem comum e a paz social (EG 217-237); o diálogo social como contributo para a paz (EG 238-257).

Cuidar da fragilidade

A paróquia missionária é chamada a promover um olhar de afeto criativo para com todas as situações de debilidade. O exemplo vem do próprio Jesus Cristo. Ele «identificou-Se especialmente com os mais pequeninos (cf. Mateus 25, 40)». Ainda que, hoje, «parece que não faz sentido investir para que os lentos, fracos ou menos dotados possam também singrar na vida» (EG 209), os cristãos sabem que «é indispensável prestar atenção e debruçar-nos sobre as novas formas de pobreza e fragilidade, nas quais somos chamados a reconhecer Cristo sofredor: os sem abrigo, os toxicodependentes, os refugiados, os povos indígenas, os idosos cada vez mais sós e abandonados, […] os migrantes» (EG 210), as «pessoas que são objeto das diferentes formas de tráfico» (EG 211), «as mulheres que padecem situações de exclusão, maus-tratos e violência» (EG 212), «os nascituros, os mais inermes e inocentes de todos» (EG 213). Convicto do carácter sagrado e inviolável de cada ser humano, o papa Francisco recorda que o aborto nunca é uma solução. «Mas é verdade também que temos feito pouco para acompanhar adequadamente as mulheres que estão em situações muito duras» (EG 214). Além destes, há outros seres frágeis e indefesos […]. Refiro-me ao conjunto da criação» (EG 215). Por isso, «como São Francisco de Assis, todos nós, cristãos, somos chamados a cuidar da fragilidade do povo e do mundo em que vivemos» (EG 216).

O bem comum e a paz social

Promotora da paz, a paróquia missionária sabe que, além da alegria e do amor, «a Palavra de Deus menciona também o fruto da paz» (EG 217). Antes de mais, convém reter que a paz não consiste numa «mera ausência de violência obtida pela imposição de uma parte sobre as outras». Por isso, «as reivindicações sociais, que têm a ver com a distribuição das entradas, a inclusão social dos pobres e os direitos humanos não podem ser sufocados com o pretexto de construir um consenso de escritório ou uma paz efémera para uma minoria feliz» (EG 218). Na verdade, «uma paz que não surja como fruto do desenvolvimento integral de todos, não terá futuro e será sempre semente de novos conflitos e variadas formas de violência» (EG 219). Neste contexto, a paróquia missionária tem de «desenvolver uma cultura do encontro numa harmonia pluriforme» (EG 220). Assim, «para avançar nesta construção de um povo em paz, justiça e fraternidade», o Papa propõe «quatro princípios que orientam especificamente o desenvolvimento da convivência social e a construção de um povo onde as diferenças se harmonizam dentro de um projeto comum» (EG 221). Os quatro princípios são os seguintes: «o tempo é superior ao espaço» (EG 222-225); «a unidade prevalece sobre o conflito» (EG 226-230); «a realidade é mais importante do que a ideia» (EG 231-233); «o todo é superior à parte» (EG 234-237).

O diálogo social como contribuição para a paz

A paróquia missionária tem presente que «a evangelização implica também um caminho de diálogo». Além do diálogo pessoal (cf. tema 19), assume também «o diálogo com os Estados, com a sociedade – que inclui o diálogo com as culturas e as ciências – e com os outros crentes que não fazem parte da Igreja Católica» (EG 238). Assim, a Igreja «está aberta à colaboração com todas as autoridades nacionais e internacionais para cuidar deste bem universal tão grande» (EG 239) que é a paz. Sem esquecer que «o cuidado e a promoção do bem comum da sociedade compete ao Estado» (EG 240), a Igreja «propõe sempre com clareza os valores fundamentais da existência humana» (EG 241). Além deste, «o diálogo entre ciência e fé também faz parte da ação evangelizadora que favorece a paz». Neste diálogo, que «abre novos horizontes ao pensamento e amplia as possibilidades da razão» (EG 242), não é intenção da Igreja «deter o progresso admirável das ciências» (EG 243). Há ainda a referência ao «diálogo ecuménico» (EG 244-246), às «relações com o Judaísmo» (EG 247-249), ao «diálogo inter-religioso» (EG 250-254), e ao «diálogo social num contexto de liberdade religiosa» (255-258).

Na minha paróquia, quais são os mais frágeis? Como contribuo para o bem comum e a paz social? A minha paróquia assume o diálogo social como caminho de evangelização?