Anunciar a alegria da fé

Caridade generosa [2]

27. Junho. 2016

«Deriva da nossa fé em Cristo, que Se fez pobre e sempre Se aproximou dos pobres e marginalizados, a preocupação pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 186). Este tema, inserido na abordagem da paróquia missionária como «âmbito para […] a caridade generosa» (EG 28), apresenta, em resumo, o conteúdo dos números 186 a 208 da EG.

«Deriva da nossa fé em Cristo, que Se fez pobre e sempre Se aproximou dos pobres e marginalizados, a preocupação pelo desenvolvimento integral dos mais abandonados da sociedade» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 186). Este tema, inserido na abordagem da paróquia missionária como «âmbito para […] a caridade generosa» (EG 28), apresenta, em resumo, o conteúdo dos números 186 a 208 da EG. O papa Francisco diz com coragem: o «imperativo de ouvir o clamor dos pobres» (EG 193) «é uma mensagem tão clara, tão direta, tão simples e eloquente que nenhuma hermenêutica eclesial tem o direito de relativizar». (EG 194). E acrescenta: «Se alguém se sentir ofendido com as minhas palavras, saiba que as exprimo com estima e com a melhor das intenções, longe de qualquer interesse pessoal ou ideologia política» (EG 208).

Ouvir o clamor dos pobres

A paróquia missionária é chamada a «ouvir o clamor do pobre e socorrê-lo», isto é, a ser instrumento de Deus «ao serviço da libertação e promoção dos pobres» (EG 187). E «às vezes trata-se de ouvir o clamor de povos inteiros, dos povos mais pobres da terra» (EG 190). Esta não é «uma missão reservada apenas a alguns» (EG 188); é uma «exigência» feita a todos: «os cristãos são chamados, em todo o lugar e circunstância, a ouvir o clamor dos pobres» (EG 191). Em causa está a prática de uma autêntica solidariedade que, «mais do que alguns atos esporádicos de generosidade» (EG 188), tem de ser «a decisão de devolver ao pobre o que lhe corresponde» (EG 189). Não basta «garantir a comida ou um decoroso ‘sustento’ para todos, mas ‘prosperidade e civilização em seus múltiplos aspetos’. Isto engloba educação, acesso aos cuidados de saúde e especialmente trabalho» (EG 192).

O lugar privilegiado dos pobres

Numa paróquia missionária, ainda que haja dificuldade em mostrar a «beleza do Evangelho», «há um sinal que nunca deve faltar: a opção pelos últimos, por aqueles que a sociedade descarta e lança fora» (EG 195). Os pobres «ocupam um lugar preferencial» no «coração de Deus» (EG 197). Por isso, temos de combater a nossa dureza «de coração e de mente» (EG 196). A opção pelos pobres é «uma categoria teológica» que precisa de ter «consequências na vida de fé de todos os cristãos»: «uma Igreja pobre para os pobres» (EG 198). Por conseguinte, «ninguém pode sentir-se exonerado da preocupação pelos pobres e pela justiça social» (EG 201). Assumida como essência e missão da Igreja, a opção pelos pobres não se traduz apenas «em ações ou em programas de promoção e assistência […]; não é um excesso de ativismo, mas primariamente uma atenção prestada ao outro […]. Isto implica apreciar o pobre na sua bondade própria, com o seu modo de ser, com a sua cultura, com a sua forma de viver a fé. O amor autêntico é sempre contemplativo, permitindo-nos servir o outro não por necessidade ou vaidade, mas porque ele é belo, independentemente da sua aparência» (EG 199). Urge reconhecer que «a pior discriminação que sofrem os pobres é a falta de cuidado espiritual. […] A opção preferencial pelos pobres deve traduzir-se, principalmente, numa solicitude religiosa privilegiada e prioritária» (EG 200).

Economia global saudável

«Enquanto não forem radicalmente solucionados os problemas dos pobres, […] não se resolverão os problemas do mundo e, em definitivo, problema algum. A desigualdade é a raiz dos males sociais» (EG 202). A este propósito, a paróquia missionária ajuda a perceber que «a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum são questões que deveriam estruturar toda a política económica» (EG 203) e que «o crescimento equitativo exige algo mais do que o crescimento económico» (EG 204). Por isso, o papa Francisco pede «a Deus que cresça o número de políticos capazes de entrar num autêntico diálogo que vise efetivamente sanar as raízes profundas e não a aparência dos males do nosso mundo» (EG 205). É preciso promover «economia global saudável» que «assegure o bem-estar económico a todos os países e não apenas a alguns» (EG 206). A paróquia missionária tem de «cooperar de forma eficaz para que os pobres vivam com dignidade e haja a inclusão de todos». Se não o fizer, «acabará submersa pelo mundanismo espiritual, dissimulado em práticas religiosas, reuniões infecundas ou discursos vazios» (EG 207).

Estou comprometido com a opção pelos pobres? Neste âmbito, como se caracteriza a minha paróquia? Conhece e acolhe os seus pobres? Há cuidado espiritual dos pobres? Coopera na superação das causas da pobreza e da injustiça social?