Anunciar a alegria da fé

Comunhão

16. Junho. 2016

Não pode existir vida cristã fora da comunidade: nas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas comunidades de base, nas outras pequenas comunidades e movimentos. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária. É também acompanhado e estimulado pela comunidade e por seus pastores para amadurecer na vida do Espírito.

«Aos cristãos de todas as comunidades do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um testemunho de comunhão fraterna, que se torne fascinante e resplandecente» (EG 99). Este pedido do Papa refere o quarto «aspeto fundamental» na formação do discípulo missionário: a comunhão. Na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual escreve: «Que todos possam admirar como vos preocupais uns pelos outros, como mutuamente vos encorajais, animais e ajudais: ‘Por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’ (João 13, 35). Foi o que Jesus, com uma intensa oração, pediu ao Pai: ‘Que todos sejam um só (…) em nós [para que] o mundo creia’ (João 17, 21). Cuidado com a tentação da inveja! Estamos no mesmo barco e vamos para o mesmo porto! Peçamos a graça de nos alegrarmos com os frutos alheios, que são de todos» (EG 99).

Comunhão

Os bispos da América Latina e do Caribe, no Documento de Aparecida (DAp), explicitam assim este aspeto essencial na formação do discípulo missionário: «Não pode existir vida cristã fora da comunidade: nas famílias, nas paróquias, nas comunidades de vida consagrada, nas comunidades de base, nas outras pequenas comunidades e movimentos. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária. É também acompanhado e estimulado pela comunidade e por seus pastores para amadurecer na vida do Espírito» (DAp 278). Este aspeto é aprofundado no capítulo quinto do Documento de Aparecida («A comunhão dos discípulos missionários na Igreja»), que aborda os tópicos: vida de comunhão; lugares eclesiais de comunhão; vocações específicas; religiões e diálogo ecuménico.

Viver em comunidade

A vida cristã não pode ser apenas uma questão pessoal. Um elemento a destacar da explicitação dada pelo Documento de Aparecida sobre a comunhão é a afirmação de que «não pode existir vida cristã fora da comunidade». Isto leva o Papa a proclamar: «Não deixemos que nos roubem a comunidade!» (EG 92). Ora, o início da vida cristã acontece na comunidade dos doze Apóstolos querida por Jesus Cristo. «Jesus, no início de seu ministério, escolhe os doze para viver em comunhão com Ele (cf. Marcos 3, 14). Para favorecer a comunhão e avaliar a missão, Jesus lhes pede: ‘Venham só vocês a um lugar desabitado, para descansar um pouco’ (Marcos 6, 31-32). Em outras oportunidades, Jesus se encontrará com eles para lhes explicar o mistério do Reino (cf. Marcos 4, 11.33-34). Jesus age da mesma forma com o grupo dos setenta e dois discípulos (cf. Lucas 10, 17-20). Ao que parece, o encontro a sós indica que Jesus quer falar-lhes ao coração (cf. Oseias 2, 14). Também hoje o encontro dos discípulos com Jesus na intimidade é indispensável para alimentar a vida comunitária e a atividade missionária» (DAp 154). Esta importância do encontro pessoal com Jesus Cristo reforça o que já foi enunciado em reflexões anteriores (nomeadamente no tema 7) e confirma que os cinco «aspetos fundamentais» na formação do discípulo missionário «se complementam intimamente e se alimentam entre si» (DAp 278).

Amadurecer na vida do Espírito

Importante para o processo de formação do discípulo missionário, no contexto da comunhão, é a necessidade de «amadurecer na vida do Espírito». «O Espírito Santo constrói a comunhão e a harmonia do povo de Deus» (EG 117). Aliás, é pela ação do Espírito Santo que começa a vida cristã. «Desde o princípio, os discípulos haviam sido formados por Jesus no Espírito Santo (cf. Atos 1, 2); é, na Igreja, o Mestre interior que conduz ao conhecimento da verdade total, formando discípulos e missionários. Essa é a razão pela qual os seguidores de Jesus devem deixar-se guiar constantemente pelo Espírito (cf. Gálatas 5, 25), e tornar a paixão pelo Pai e pelo Reino sua própria paixão: anunciar a Boa Nova aos pobres, curar os enfermos, consolar os tristes, libertar os cativos e anunciar a todos o ano da graça do Senhor (cf. Lucas 4, 18-19)» (DAp 152). Esta ação do Espírito Santo na vida do discípulo missionário é ainda iluminada e vivificada através dos sacramentos. E «pela presença eficaz de seu Espírito, Deus assegura até à parusia a sua proposta de vida para homens e mulheres de todos os tempos e lugares, impulsionando a transformação da história e seus dinamismos» (DAp 151).

O que entendo por comunhão? Que valor dou à comunidade? Concordo com a afirmação de que é possível ser-se cristão «por conta própria»? Deixo-me guiar pelo Espírito Santo?