Anunciar a alegria da fé

Comunidade de comunidades

1. Julho. 2016

A paróquia missionária é «comunidade de comunidades» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 28). Esta afirmação remete para a importância da unidade e da comunhão entre a múltipla diversidade que constitui uma comunidade paroquial.

A paróquia missionária é «comunidade de comunidades» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 28). Esta afirmação remete para a importância da unidade e da comunhão entre a múltipla diversidade que constitui uma comunidade paroquial. A consciência da unidade na diversidade dos carismas, uma graça recebida pela ação do Espírito Santo, é o objeto central desta reflexão. Apoiada no testemunho das primeiras comunidades cristãs, a paróquia missionária está sempre aberta, pois «todos podem participar de alguma forma na vida eclesial, todos podem fazer parte da comunidade» (EG 47).

Unidade na diversidade

A paróquia missionária reconhece que «as diferenças entre as pessoas por vezes são incómodas»; ao mesmo tempo, partilha com todos os seus membros a confiança de que «o Espírito Santo, que suscita esta diversidade, de tudo pode tirar algo de bom e transformá-lo em dinamismo evangelizador que atua por atração». Desta forma, recorda a todos que «a diversidade deve ser sempre conciliada com a ajuda do Espírito Santo; só Ele pode suscitar a diversidade, a pluralidade, a multiplicidade e, ao mesmo tempo, realizar a unidade». Ora, a experiência vivida em muitas comunidades eclesiais demonstra (infelizmente) que «quando somos nós que pretendemos a diversidade e nos fechamos em nossos particularismos, em nossos exclusivismos, provocamos a divisão». Por outro lado, e porque reconhece a sua missão de ser «comunidade de comunidades», a paróquia missionária também tem sempre presente a recomendação do papa Francisco: «quando somos nós que queremos construir a unidade com os nossos planos humanos, acabamos por impor a uniformidade, a homologação. Isto não ajuda a missão da Igreja» (EG 131).

Comunhão de carismas

A paróquia missionária estima e acolhe os «diferentes carismas» com que «o Espírito Santo enriquece toda a Igreja evangelizadora». E com simplicidade evangélica recorda aos seus membros que os carismas «são dons para renovar e edificar a Igreja». Neste sentido, contribui para que todos se consciencializem de que os carismas não são «um património fechado, entregue a um grupo para que o guarde». Pelo contrário, «são presentes do Espírito integrados no corpo eclesial, atraídos para o centro que é Cristo, donde são canalizados num impulso evangelizador». Por isso, o Papa destaca que «um sinal claro da autenticidade dum carisma é a sua eclesialidade, a sua capacidade de se integrar harmoniosamente na vida do povo santo de Deus para o bem de todos». Assim, a paróquia missionária tem a responsabilidade de evitar as rivalidades entre os diversos carismas, já que «uma verdadeira novidade suscitada pelo Espírito não precisa de fazer sombra sobre outras espiritualidades e dons para se afirmar a si mesma. Quanto mais um carisma dirigir o seu olhar para o coração do Evangelho, tanto mais eclesial será o seu exercício». Desta forma, surge o necessário e exigente caminho de comunhão entre todos: «É na comunhão, mesmo que seja fadigosa, que um carisma se revela autêntica e misteriosamente fecundo. Se vive este desafio, a Igreja pode ser um modelo para a paz no mundo» (EG 130).

A paróquia e as outras instituições evangelizadoras

A paróquia missionária não atua como se fosse a «única instituição evangelizadora» (EG 28). Ela reconhece a existência de «outras instituições eclesiais, comunidades de base e pequenas comunidades, movimentos e outras formas de associação» que «são uma riqueza da Igreja que o Espírito suscita para evangelizar todos os ambientes e setores». A paróquia missionária reconhece que, muitas vezes, essas instituições «trazem um novo ardor evangelizador e uma capacidade de diálogo com o mundo que renovam a Igreja». Em todo o caso, porque nascem como resposta a ambientes concretos, o papa Francisco recomenda que essas instituições evangelizadoras «se integrem de bom grado na pastoral orgânica da Igreja particular» (diocese) e «não percam o contacto» com a «realidade muito rica da paróquia local». Assim, «esta integração evitará que fiquem só com uma parte do Evangelho e da Igreja, ou que se transformem em nómadas sem raízes» (EG 29).

Que conhecimento tenho dos movimentos e das outras instituições eclesiais presentes na minha paróquia e diocese? Quais são os seus carismas? Estão em sintonia com as propostas paroquiais e diocesanas? Vivem inseridos na realidade paroquial? Que consciência têm da missão? Como podem ser movimentos missionários capazes de chegar a todas as «periferias»?