Anunciar a alegria da fé

Crescimento da vida cristã [2]

24. Junho. 2016

A importância da «iniciação mistagógica» ocupa este (segundo) tema dedicado à reflexão sobre a paróquia missionária como «âmbito para […] o crescimento da vida cristã» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 28). O papa Francisco explicita-a em dois pontos: «a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã». E constata que «muitos manuais e planificações ainda não se deixaram interpelar pela necessidade duma renovação mistagógica».

A importância da «iniciação mistagógica» ocupa este (segundo) tema dedicado à reflexão sobre a paróquia missionária como «âmbito para […] o crescimento da vida cristã» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 28). O papa Francisco explicita-a em dois pontos: «a necessária progressividade da experiência formativa na qual intervém toda a comunidade e uma renovada valorização dos sinais litúrgicos da iniciação cristã». E constata que «muitos manuais e planificações ainda não se deixaram interpelar pela necessidade duma renovação mistagógica». Na catequese, o anúncio da Palavra «precisa sempre duma ambientação adequada e duma motivação atraente, do uso de símbolos eloquentes, da sua inserção num amplo processo de crescimento e da integração de todas as dimensões da pessoa num caminho comunitário de escuta e resposta» (EG 166).

«Via da beleza»

A paróquia missionária sabe que «o encontro catequético é um anúncio da Palavra e está centrado nela» (EG 166). E também se empenha para que «toda a catequese preste uma especial atenção à ‘via da beleza’ (‘via pulchritudinis’)». Isto quer dizer que a paróquia missionária compreende que «anunciar Cristo significa mostrar que crer n’Ele e segui-Lo não é algo apenas verdadeiro e justo, mas também belo, capaz de cumular a vida dum novo esplendor e duma alegria profunda, mesmo no meio das provações». Por isso, procura dotar-se de um olhar especialmente sensível para reconhecer que «todas as expressões de verdadeira beleza podem ser reconhecidas como uma senda que ajuda a encontrar-se com o Senhor Jesus. […] Por isso, torna-se necessário que a formação na ‘via pulchritudinis’ [‘via da beleza’] esteja inserida na transmissão da fé». Entretanto, o Papa alerta que «não se trata de fomentar um relativismo estético, que pode obscurecer o vínculo indivisível entre verdade, bondade e beleza, mas de recuperar a estima da beleza para poder chegar ao coração do homem e fazer resplandecer nele a verdade e a bondade do Ressuscitado». Ao reconhecer a importância da «beleza» no crescimento da vida cristã, o papa Francisco incentiva as dioceses (e as paróquias) a promover «o uso das artes na sua obra evangelizadora, em continuidade com a riqueza do passado, mas também na vastidão das suas múltiplas expressões atuais, a fim de transmitir a fé numa nova ‘linguagem parabólica’» (EG 167). Bento XVI afirmou: «A linguagem da arte é parabólica, dotada de uma especial abertura universal: a ‘via pulchritudinis’ [‘via da beleza’] é uma senda capaz de orientar a mente e o coração para o Eterno, de os elevar até às alturas de Deus» (Discurso proferido a 25 de outubro de 2012 aquando da projeção do documentário «arte e fé»). Neste contexto, no final do número 167 da Exortação Apostólica, o papa Francisco declara que «é preciso ter a coragem de encontrar os novos sinais, os novos símbolos, uma nova carne para a transmissão da Palavra, as diversas formas de beleza que se manifestam em diferentes âmbitos culturais, incluindo aquelas modalidades não convencionais de beleza que podem ser pouco significativas para os evangelizadores, mas tornaram-se particularmente atraentes para os outros» (EG 167).

Proposta moral

A paróquia missionária está consciente de que a «via da beleza» em relação ao crescimento da vida cristã também se aplica «à proposta moral da catequese», quer seja de iniciação quer seja permanente. A proposta moral tem como objetivo ajudar «a crescer na fidelidade ao estilo de vida do Evangelho». Então, a paróquia missionária esforça-se em «indicar sempre o bem desejável, a proposta de vida, de maturidade, de realização, de fecundidade». Trata-se de uma proposta que há de ser sempre positiva e estimulante, a partir da qual «se pode entender a nossa denúncia dos males que a podem obscurecer». Neste sentido, é urgente assumir um estilo propositivo e alegre em todos os processos de catequese e de evangelização. A paróquia missionária não precisa de profetas da desgraça! «Mais do que como peritos em diagnósticos apocalípticos ou juízes sombrios que se comprazem em detetar qualquer perigo ou desvio, é bom que nos possam ver como mensageiros alegres de propostas altas, guardiões do bem e da beleza que resplandecem numa vida fiel ao Evangelho» (EG 168).

O que significa afirmar a importância da «iniciação mistagógica»? Que relação existe entre a mistagogia e a beleza? O que é a «via da beleza»? É importante a «via da beleza» no crescimento da vida cristã? Como se pode assumir a «via da beleza» na apresentação das exigências morais da fé?