Anunciar a alegria da fé

Discípulos missionários

12. Junho. 2016

Com este tema iniciamos a segunda parte desta proposta. O conteúdo da EG sobre o discipulado sintetiza o que se encontra no Documento de Aparecida sobre os «discípulos missionários de Jesus Cristo». Eles são enviados como comunidade e pela comunidade eclesial para «dar testemunho do amor» (DAp 386), anunciar a chegada do Reino, a dinâmica «transformadora do Reino de Deus que se faz presente em Jesus» (DAp 382) e assumir «as tarefas prioritárias» para o bem comum e a dignificação do ser humano (DAp 384).

«A evangelização obedece ao mandato missionário de Jesus: ‘Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado’ (Mateus 28, 19-20)» (EG 19). Esta é a missão da Igreja (cf. tema 1). Por isso, «este mesmo mandato continua a ser confiado aos discípulos de hoje (e de sempre), a quem compete, em primeiro lugar, ‘viver a alegria do Evangelho’» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Com este tema iniciamos a segunda parte desta proposta (cf. tema 1). Nesta parte dedicada à reflexão sobre os «discípulos missionários», sem deixar de ter como ponto de referência a Exortação Apostólica do papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG), não podemos ignorar o contributo essencial dado pelo Documento de Aparecida (DAp) para iluminar esta temática.

Discípulos

A EG afirma que a Igreja é constituída por comunidades de discípulos e discípulas, que têm de ser «sal da terra e luz do mundo»: «Precisamente nesta época, inclusive onde são um ‘pequenino rebanho’ (Lucas 12, 32), os discípulos do Senhor são chamados a viver como comunidade que seja sal da terra e luz do mundo (cf. Mateus 5, 13-16). São chamados a testemunhar, de forma sempre nova, uma pertença evangelizadora» (EG 92). O conteúdo da EG sobre o discipulado sintetiza o que se encontra no Documento de Aparecida sobre os «discípulos missionários de Jesus Cristo». Eles são enviados como comunidade e pela comunidade eclesial para «dar testemunho do amor» (DAp 386), anunciar a chegada do Reino, a dinâmica «transformadora do Reino de Deus que se faz presente em Jesus» (DAp 382) e assumir «as tarefas prioritárias» para o bem comum e a dignificação do ser humano (DAp 384).

Discípulos missionários

«Em virtude do Batismo recebido, cada membro do povo de Deus tornou-se discípulo missionário» (EG 120). E por conseguinte todos os cristãos são sujeitos de evangelização, porque «em todos os batizados, desde o primeiro ao último, atua a força santificadora do Espírito que impele a evangelizar» (EG 119). Evangelizar não é uma tarefa de alguns; «seria inapropriado pensar num esquema de evangelização realizado por agentes qualificados enquanto o resto do povo fiel seria apenas recetor das suas ações» (EG 120). Não se trata de uma opção, mas de uma característica essencial que brota do batismo. «O batismo não é um título que recebemos, mas um chamamento para o serviço ativo na vida da Igreja, dentro e fora de portas. O (cristão) batizado não pode não ser ‘discípulo missionário’. Na reflexão do Papa percebe-se claramente que não se trata duma opção, duma escolha entre ser ou não ser» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). Por isso, a missão dos «discípulos missionários» é universal: todos são enviados e todos são convidados. A missão é também universal quanto aos destinatários: é para todos, a começar pelos mais frágeis. «Todos somos convidados a aceitar esta chamada: sair da própria comodidade e ter a coragem de alcançar todas as periferias que precisam da luz do Evangelho» (EG 20). Uma Igreja «em saída» é uma comunidade que caminha ao encontro dos mais necessitados para estar ao serviço: «Faz falta ajudar a reconhecer que o único caminho é aprender a encontrar os demais com a atitude adequada, que é valorizá-los e aceitá-los como companheiros de estrada, sem resistências interiores. Melhor ainda, trata-se de aprender a descobrir Jesus no rosto dos outros, na sua voz, nas suas reivindicações; e aprender também a sofrer, num abraço com Jesus crucificado» (EG 91). A comunidade dos discípulos é «uma fraternidade mística, contemplativa, que sabe ver a grandeza sagrada do próximo, que sabe descobrir Deus em cada ser humano» (EG 92). Ser discípulo missionário significa existir para estar ao serviço dos outros. «Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo» (EG 24). Não há outro caminho. «Trata-se de ‘cumprir’ aquilo que o Senhor nos indicou como resposta ao seu amor, sobressaindo, junto com todas as virtudes, aquele mandamento novo que é o primeiro, o maior, o que melhor nos identifica como discípulos: ‘É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei’ (João 15, 12)» (EG 161).

Vive-se o mandato de Jesus Cristo, quando os «paroquianos» se conformam em ficar sentados nos bancos da igreja e não se dispõem a ir, a servir a comunidade?