Anunciar a alegria da fé

Limitações humanas

7. Julho. 2016

«O compromisso evangelizador se move por entre as limitações da linguagem e das circunstâncias» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 45). Esta constatação da existência de limitações humanas é fundamental na «transformação missionária da Igreja».

«O compromisso evangelizador se move por entre as limitações da linguagem e das circunstâncias» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 45). Esta constatação da existência de limitações humanas é fundamental na «transformação missionária da Igreja». A paróquia com um «coração missionário […] nunca se fecha, nunca se refugia nas próprias seguranças, nunca opta pela rigidez autodefensiva». A paróquia missionária situa-se num processo de contínuo crescimento «na compreensão do Evangelho e no discernimento das sendas do Espírito, e assim não renuncia ao bem possível, ainda que corra o risco de sujar-se com a lama da estrada». O seu objetivo é «comunicar cada vez melhor a verdade do Evangelho num contexto determinado, sem renunciar à verdade, ao bem e à luz que pode dar quando a perfeição não é possível» (EG 45).

Unidade e pluralidade

A paróquia missionária sabe que ainda não chegou à meta na «compreensão da verdade». Com humildade, promove processos de crescimento, na convicção de que a unidade e a pluralidade não são duas dimensões opostas. Aliás, a «variedade ajuda a manifestar e desenvolver melhor os diversos aspetos da riqueza inesgotável do Evangelho». Por isso, a pluralidade de pensamento dentro da paróquia não pode ser tida como uma «dispersão imperfeita», pois pretende «uma doutrina monolítica defendida sem nuances por todos» (EG 40). Até porque «uma linguagem totalmente ortodoxa» nem sempre «corresponde ao verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo». O que está em causa é «tentar exprimir as verdades de sempre numa linguagem que permita reconhecer a sua permanente novidade» (EG 41), ajudar a perceber a «beleza» do Evangelho e «fazê-la acolher por todos» (EG 42).

Misericórdia e paciência

A paróquia missionária reconhece que não é possível «tornar os ensinamentos da Igreja uma realidade facilmente compreensível e felizmente apreciada por todos». Nesse sentido, sabe que a fé possui sempre uma «certa obscuridade», mas isso «não tira firmeza à sua adesão». Mais do que estar obcecada com a «clareza com que se possam compreender as razões e os argumentos», a paróquia missionária tem presente que «cada ensinamento da doutrina deve situar-se na atitude evangelizadora que desperte a adesão do coração com a proximidade, o amor e o testemunho» (EG 42). Por isso, assume a necessidade de tudo avaliar à luz deste princípio. Deste modo, tem claro que não pode ter medo de rever os «costumes» que «podem até ser belos, mas agora não prestam o mesmo serviço à transmissão do Evangelho, bem como as «normas ou preceitos eclesiais que podem ter sido muito eficazes noutras épocas, mas já não têm a mesma força educativa como canais de vida». A este propósito, o papa Francisco recorda a «atualidade tremenda» das palavras de São Tomás de Aquino: «os preceitos dados por Cristo e pelos Apóstolos ao povo de Deus ‘são pouquíssimos’. E, citando Santo Agostinho, observava que os preceitos adicionados posteriormente pela Igreja se devem exigir com moderação, ‘para não tornar pesada a vida aos fiéis’ nem transformar a nossa religião numa escravidão, quando ‘a misericórdia de Deus quis que fosse livre’» (EG 43). A atitude essencial, «sem diminuir o valor do ideal evangélico», consiste em «acompanhar, com misericórdia e paciência, as possíveis etapas de crescimento das pessoas, que se vão construindo dia após dia». Assim se evidencia de novo (cf. tema 30) a força evangelizadora da misericórdia: «Um pequeno passo, no meio de grandes limitações humanas, pode ser mais agradável a Deus do que a vida externamente correta de quem transcorre os seus dias sem enfrentar sérias dificuldades. A todos deve chegar a consolação e o estímulo do amor salvífico de Deus, que opera misteriosamente em cada pessoa, para além dos seus defeitos e das suas quedas» (EG 44). Na primeira homilia proferida na basílica de São João de Latrão (a Sé da diocese de Roma), Francisco referiu-se à misericórdia e paciência como características de Deus: «A misericórdia de Deus: como é bela esta realidade da fé para a nossa vida! […] Um grande teólogo alemão Romano Guardini dizia que Deus responde à nossa fraqueza com a sua paciência e isto é o motivo da nossa confiança, da nossa esperança» (bit.ly/7abril2013).

O que significa ter um «coração missionário»? A minha paróquia potencia a unidade na pluralidade ou a uniformidade monolítica? Que importância dou aos costumes e aos preceitos eclesiais? Reconheço a força evangelizadora da misericórdia?