Anunciar a alegria da fé

Missão

17. Junho. 2016

A missão é o quinto «aspeto fundamental» no processo de formação do discípulo missionário. Aqui, dedicamos apenas a nossa atenção ao aprofundamento dos dois momentos referidos pelos bispos da América Latina e do Caribe, no Documento de Aparecida, no número (278): compartilhar a alegria e construir o Reino de Deus.

A missão é o quinto «aspeto fundamental» elencado no Documento de Aparecida (DAp) no processo de formação do discípulo missionário. Esta temática desenvolve-se em múltiplos e diversificados pontos que são abordados ao longo das 42 reflexões que compõem esta iniciativa (cf. tema 1). Aqui, dedicamos apenas a nossa atenção ao aprofundamento dos dois momentos referidos pelos bispos da América Latina e do Caribe, no Documento de Aparecida, no número (278) em que apresentam os cinco «aspetos fundamentais» na formação do discípulo missionário: compartilhar a alegria e construir o Reino de Deus. «A missão no coração do povo não é uma parte da minha vida, ou um ornamento que posso pôr de lado; não é um apêndice ou um momento entre tantos outros da minha vida. É algo que não posso arrancar do meu ser, se não me quero destruir» (EG 273).

Missão

No Documento de Aparecida, os bispos da América Latina e do Caribe explicitam assim este último «aspeto fundamental» na formação do discípulo missionário: «O discípulo, à medida que conhece e ama o seu Senhor, experimenta a necessidade de compartilhar com outros a sua alegria de ser enviado, de ir ao mundo para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, e tornar realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados, em uma palavra, a construir o Reino de Deus. A missão é inseparável do discipulado, o qual não deve ser entendido como etapa posterior à formação, ainda que esta seja realizada de diversas maneiras de acordo com a própria vocação e com o momento da maturidade humana e cristã em que se encontre a pessoa» (DAp 278). Há de ficar ainda mais claro em todos, mormente nos batizados, que ser cristão é assumir-se como discípulo missionário (cf. tema 6)!

Compartilhar a alegria

O conhecimento e o amor a Jesus Cristo são a «fonte da ação evangelizadora» (EG 8), são a fonte da missão. Ora, «quando cresce no cristão a consciência de pertencer a Cristo, em razão da gratuidade e alegria que produz, cresce também o ímpeto de comunicar a todos o dom desse encontro. A missão não se limita a um programa ou projeto, mas é compartilhar a experiência do acontecimento do encontro com Cristo, testemunhá-lo e anunciá-lo de pessoa a pessoa, de comunidade a comunidade e da Igreja a todos os confins do mundo» (DAp 145). A este propósito, percebe-se uma tónica constante que se repete, quer no Documento de Aparecida, quer na Carta Encíclica do papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual: a alegria de evangelizar (cf. temas 3 a 5). Esta alegria é consequência do conhecimento e amor a Jesus Cristo e ponto de partida para a missão.

Construir o Reino de Deus

«Tornar realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados» é, segundo o Documento de Aparecida, o segundo tópico que caracteriza a «missão». Este resume-se na expressão «construir o Reino de Deus». Assim, o conhecimento e o amor a Jesus Cristo produzem alegria e dinamismo missionário. «A missão é uma paixão por Jesus, e simultaneamente uma paixão pelo seu povo» (EG 268). Trata-se da «tarefa essencial da evangelização, que inclui a opção preferencial pelos pobres, a promoção humana integral e a autêntica libertação cristã» (DAp 146). Sim, «um autêntico caminho cristão preenche de alegria e esperança o coração e leva o cristão a anunciar Cristo de maneira constante na própria vida e ambiente. Projeta para a missão de formar discípulos missionários para o serviço ao mundo. Habilita a propor projetos e estilos de vida cristã atraentes, com intervenções orgânicas e de colaboração fraterna com todos os membros da comunidade. Contribui para integrar evangelização e pedagogia, comunicando vida e oferecendo itinerários pastorais de acordo com a maturidade cristã, a idade e outras condições próprias das pessoas ou dos grupos. Incentiva a responsabilidade dos leigos no mundo para construir o Reino de Deus. Desperta constante inquietude pelos distanciados e pelos que ignoram o Senhor em suas vidas» (DAp 280). Há uma necessidade urgente de compreender bem as implicações práticas e concretas na vida do discípulo missionário. «Evangelizar é tornar o Reino de Deus presente no mundo» (EG 176). Não se pode portanto ignorar a «dimensão social da evangelização, precisamente porque, se esta dimensão não for devidamente explicitada, corre-se sempre o risco de desfigurar o sentido autêntico e integral da missão evangelizadora» (EG 176).

O que é a missão? Aprofundo o conhecimento e o amor a Jesus Cristo? Compartilho a alegria? Como estou a construir o Reino de Deus?