Anunciar a alegria da fé

Paróquias missionárias

18. Junho. 2016

Como ‘criar’ paróquias missionárias? Como conseguir que as paróquias priorizem a dimensão missionária? Como ultrapassar as resistências à mudança?

«O discípulo missionário exprime a sua vitalidade no testemunho de vida, no diálogo, numa presença de caridade (cf. AG 11-12). Esta vitalidade não se faz por ‘conta própria’, mas insere-se numa dinâmica comunitária, seja no seio dos movimentos eclesiais, seja no contexto da vida paroquial. […] Como ‘criar’ paróquias missionárias? Como conseguir que as paróquias priorizem a dimensão missionária? Como ultrapassar as resistências à mudança?» (Programa Pastoral da Arquidiocese de Braga). As próximas reflexões vão esboçar possibilidades de resposta a estas questões. O objetivo é «implementar a dinâmica missionária em cada comunidade paroquial». Iniciamos a terceira parte deste itinerário (cf. tema 1): «paróquias missionárias». Na elaboração dos temas servimo-nos da obra de Pedro Jaramillo Rivas, «‘Evangelii Gaudium’ en clave de parroquia misionera», editorial PPC, Madrid 2015.

Paróquia

O ponto de partida para as próximas reflexões situa-se no número 28 da Exortação Apostólica do papa Francisco sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG): «A paróquia não é uma estrutura caduca; precisamente porque possui uma grande plasticidade, pode assumir formas muito diferentes que requerem a docilidade e a criatividade missionária do Pastor e da comunidade. Embora não seja certamente a única instituição evangelizadora, se for capaz de se reformar e adaptar constantemente, continuará a ser ‘a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas’. Isto supõe que esteja realmente em contacto com as famílias e com a vida do povo, e não se torne uma estrutura complicada, separada das pessoas, nem um grupo de eleitos que olham para si mesmos. A paróquia é presença eclesial no território, âmbito para a escuta da Palavra, o crescimento da vida cristã, o diálogo, o anúncio, a caridade generosa, a adoração e a celebração. Através de todas as suas atividades, a paróquia incentiva e forma os seus membros para serem agentes da evangelização. É comunidade de comunidades, santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar, e centro de constante envio missionário. Temos, porém, de reconhecer que o apelo à revisão e renovação das paróquias ainda não deu suficientemente fruto, tornando-as ainda mais próximas das pessoas, sendo âmbitos de viva comunhão e participação e orientando-as completamente para a missão» (EG 28). E, como dissemos a propósito das temáticas sobre os «discípulos missionários» (cf. tema), também não se pode ignorar a importância do Documento de Aparecida (nomeadamente os números 170 a 177).

Renovação

A paróquia é a primeira concretização que o Papa faz ao tratar da renovação das estruturas. Esta escolha indica à partida que o Papa pensa na paróquia como a manifestação da Igreja mais próxima das pessoas. É interessante ver a localização do número dedicado à renovação da paróquia [texto completo da Exortação: bit.ly/EG_Alegria_Evangelho]: no primeiro capítulo, no apartado dedicado à «pastoral em conversão» (números 25 a 33), e no começo de uma alínea cujo título fala da urgência da reforma: «uma renovação eclesial inadiável». A revitalização da paróquia é uma prioridade na renovação eclesial querida pelo papa Francisco!

Opção missionária

O número 27 da EG abre o apartado da renovação eclesial com um desafio missionário de alcance universal: pede à Igreja «uma opção missionária capaz de transformar tudo… toda a estrutura eclesial». O objetivo da renovação é claro: «os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo atual que à auto-preservação». O Papa quer que todas as estruturas na Igreja se tornem mais missionárias: «a pastoral ordinária em todas as suas instâncias seja mais comunicativa e aberta, que coloque os agentes pastorais em atitude constante de ‘saída’ e, assim, favoreça a resposta positiva de todos aqueles a quem Jesus oferece a sua amizade». O texto citado de João Paulo II não podia ser mais expressivo: «toda a renovação na Igreja há de ter como alvo a missão, para não cair vítima duma espécie de introversão eclesial» (Exortação Pós-sinodal «A Igreja na Oceânia», 19). A propósito da renovação, o Papa reconhece que, sendo um documento prático, pode produzir medos, resistências e até desqualificações. Por isso, exorta todos (pastores e fiéis) a «aplicarem, com generosidade e coragem, as orientações deste documento, sem impedimentos nem receios» (EG 33).

Estou convencido do carácter inadiável da renovação da Igreja? Estou aberto à mudança ou prefiro o comodismo do «fez-se sempre assim»?