Anunciar a alegria da fé

Pastoral em chave missionária

5. Julho. 2016

O que é uma «pastoral em chave missionária»? Que amplitude de olhar tem a minha paróquia? Aberta ou fechada à dinâmica missionária? Em comunhão afetiva e efetiva com o Bispo e a Igreja?

A paróquia missionária assume-se como «Igreja em saída» (cf. tema 28). Por isso, coloca a si mesma a questão: Uma «Igreja em saída» com que «cara» se apresenta? Qual é o rosto da nossa Igreja? O papa Francisco é claro na resposta: sair para enamorar, sair para atrair, sair para dar vida, sair para partilhar alegria, sair para renovar a esperança, sair para impulsionar as utopias, sair para estabelecer pontes, sair para curar as feridas, sair para derramar misericórdia… Não se trata de uma «saída» para fazer proselitismo, para ameaçar com proibições e castigos. Dispensam-se os evangelizadores que se apresentam com «cara de funeral» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 10), evangelizadores de «Quaresma sem Páscoa» (EG 6). O que se pretende é uma «conversão pastoral e missionária, que não pode deixar as coisas como estão» (EG 25).

Pastoral em conversão

A paróquia missionária assume a Exortação Apostólica («A Alegria do Evangelho») como documento programático (cf. tema 2) que lança as bases de uma «pastoral em conversão», uma pastoral em «estado permanente de missão» (EG 25). Sem ignorar as (habituais) resistências à mudança, quer manter a dinâmica do II Concílio do Vaticano, que «apresentou a conversão eclesial como a abertura a uma reforma permanente de si mesma por fidelidade a Jesus Cristo: ‘Toda a renovação da Igreja consiste essencialmente numa maior fidelidade à própria vocação. […] A Igreja peregrina é chamada por Cristo a esta reforma perene. Como instituição humana e terrena, a Igreja necessita perpetuamente desta reforma’». Deste modo, relembra a «força interpeladora» das palavras de Paulo VI: «um desejo de comparar a imagem ideal da Igreja […]com o rosto real que a Igreja apresenta hoje» (EG 26).

Renovação eclesial inadiável

A paróquia missionária reconhece a urgência da «renovação eclesial» (cf. tema 12). Por isso, promove a reforma das suas estruturas, consciente de que «há estruturas eclesiais que podem chegar a condicionar um dinamismo evangelizador». Ao mesmo tempo, cuida que as novas estruturas tenham «uma vida que as anima, sustenta e avalia. Sem vida nova e espírito evangélico autêntico, sem ‘fidelidade da Igreja à própria vocação’, toda e qualquer nova estrutura se corrompe em pouco tempo» (EG 26). A paróquia missionária associa-se ao sonho missionário do papa Francisco: «Sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem» (EG 27). Neste caminho de «renovação eclesial», a paróquia missionária sabe que não pode viver à margem da diocese, «sujeito primário da evangelização», que «está, também ela, chamada à conversão missionária». A alegria de uma paróquia missionária é compreender-se como célula de uma diocese, «Igreja encarnada num espaço concreto», que quer «entrar decididamente num processo de discernimento, purificação e reforma». E caminha sempre na linha da «saída missionária» para chegar aos «lugares mais necessitados», às «periferias do seu território», aos «novos âmbitos socioculturais» (EG 30). A paróquia missionária insere-se na «comunhão dinâmica, aberta e missionária» fomentada pelo Bispo que assume a sua missão em todas as possibilidades: umas vezes, caminha à frente, «para indicar a estrada e sustentar a esperança do povo»; outras vezes, mantém-se «no meio de todos com a sua proximidade simples e misericordiosa; noutros momentos, caminha «atrás do povo, para ajudar aqueles que se atrasaram e sobretudo porque o próprio rebanho possui o olfato para encontrar novas estradas». A paróquia missionária tem o direito de ver este estilo presente no seu pastor, assim como o alento e «o amadurecimento dos organismos de participação […] e de outras formas de diálogo pastoral». O «objetivo destes processos participativos» é, sem dúvida, claro: «o sonho missionário de chegar a todos» (EG 31). O exemplo é assumido pelo próprio Papa que não se coloca se fora, bem pelo contrário: «Também o papado e as estruturas centrais da Igreja universal precisam de ouvir este apelo a uma conversão pastoral» (EG 32). A todos recorda que «a pastoral em chave missionária exige o abandono deste cómodo critério pastoral: ‘fez-se sempre assim’. Convido todos a serem ousados e criativos nesta tarefa de repensar os objetivos, as estruturas, o estilo e os métodos evangelizadores das respetivas comunidades» (EG 33).

O que é uma «pastoral em chave missionária»? Que amplitude de olhar tem a minha paróquia? Aberta ou fechada à dinâmica missionária? Em comunhão afetiva e efetiva com o Bispo e a Igreja?