Anunciar a alegria da fé

Presença eclesial no território

19. Junho. 2016

A paróquia continua a ser (e será) a célula primária duma diocese. Por isso, tem a missão de ser a presença visível da Igreja, numa determinada parcela do território diocesano. A paróquia, na feliz expressão de João Paulo II, permanecerá como «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas».

A paróquia não é «certamente a única instituição evangelizadora» — afirma o papa Francisco, no número 28 da Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG). Todavia, é também claro que assume a primazia, pois, além das raízes históricas, a paróquia continua a ser (e será) a célula primária duma diocese. Por isso, tem a missão de ser a presença visível da Igreja, numa determinada parcela do território diocesano. E não se reúne à volta de um carisma particular, mas é uma comunidade a «título batismal». Ora, o Papa insiste que a paróquia, para continuar a assumir a primazia na missão evangelizadora, tem de ser «capaz de se reformar e adaptar constantemente». Se isso acontecer (assim se deseja!), então a paróquia, na feliz expressão de João Paulo II, permanecerá como «a própria Igreja que vive no meio das casas dos seus filhos e das suas filhas» (EG 28).

Estrutura territorial

Apesar das constantes alterações sociais, nomeadamente no contexto atual da grande mobilidade das pessoas, a paróquia está em ótimas condições para assegurar o contacto e a imersão da Igreja na vida pessoal e familiar. A territorialidade é uma extraordinária ocasião de contacto com as pessoas, com «alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens e mulheres de hoje», como refere a Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo atual (GS 1). No contexto da pertença cristã, ao englobar «todos os fiéis de um território determinado» (Código de Direito Canónico, 518), assume a responsabilidade de todos e para com todos, inclusive daqueles cuja pertença está no limite da (auto)exclusão. Por outro lado, a «visibilidade» pública da paróquia na sociedade converte-a num «chamariz missionário» para quem se afastou ou para quem nunca se inseriu na Igreja.

Estrutura evangelizadora

A paróquia missionária tem consciência de qual é a sua «prioridade absoluta»: a «evangelização entendida como o jubiloso, paciente e progressivo anúncio da Morte salvífica e Ressurreição de Jesus Cristo» (EG 110). Assim, esforça-se para que todos se assumam como discípulos missionários, pois a evangelização é tarefa de todos, é «dever da Igreja». Mas «é mais do que uma instituição orgânica e hierárquica; é, antes de tudo, um povo que peregrina para Deus», um povo «peregrino e evangelizador, que sempre transcende toda a necessária expressão institucional» (EG 111). A paróquia tem consciência de que, como Igreja, não se anuncia a si mesma, não é a salvação mas «sacramento da salvação oferecida por Deus» (EG 112). E também sabe que a salvação «é para todos», em comunidade, pois «ninguém se salva sozinho, isto é, nem como indivíduo isolado, nem por suas próprias forças». Deus escolheu e convocou um povo, isto é, «a Igreja» (EG 113). Por isso, a paróquia precisa de ser «fermento de Deus no meio da humanidade». Isto implica «anunciar e levar a salvação de Deus a este nosso mundo, que muitas vezes se sente perdido, necessitado de ter respostas que encorajem, deem esperança e novo vigor para o caminho». Trata-se de «ser o lugar da misericórdia gratuita, onde todos possam sentir-se acolhidos, amados, perdoados e animados a viverem segundo a vida boa do Evangelho» (EG 114).

Estrutura multiforme

A paróquia missionária acolhe com alegria a diversidade de culturas e povos. Sabe que a Igreja, povo de Deus, é constituída por povos com muitos rostos, «cada um dos quais tem a sua cultura própria». Daí «as diversas expressões da vida cristã que existem», pois «a graça supõe a cultura, e o dom de Deus encarna-se na cultura de quem o recebe» (EG 115). Por isso, a paróquia missionária não se pode perturbar com a diversidade, já que «o cristianismo não dispõe de um único modelo cultural, mas ‘permanecendo o que é, na fidelidade total ao anúncio evangélico e à tradição da Igreja, o cristianismo assumirá também o rosto das diversas culturas e dos vários povos onde for acolhido e se radicar’» (EG 116). A diversidade não «ameaça a unidade da Igreja», antes pelo contrário: com a diversidade, o Espírito Santo «constrói uma unidade que nunca é uniformidade, mas multiforme harmonia que atrai». Esta é «a lógica da encarnação» (EG 117). Então, «a fé não se pode confinar dentro dos limites de compreensão e expressão duma cultura» (EG 118).

Em linhas gerais, temos uma paróquia imersa ou separada da vida das pessoas? Qual é a «prioridade absoluta»? E quanto ao «sentido de pertença», é uma paróquia de todos e para todos? Considera a diversidade como uma riqueza ou prefere a uniformidade? Tem em conta a diversidade nas suas propostas pastorais concretas?