Anunciar a alegria da fé

Santuário onde os sedentos vão beber

2. Julho. 2016

A Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) caracteriza a paróquia como «santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar» (EG 28). Neste tema aprofundamos a «convicção de que Deus pode atuar em qualquer circunstância, mesmo no meio de aparentes fracassos» (EG 279).

A Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual (EG) caracteriza a paróquia como «santuário onde os sedentos vão beber para continuarem a caminhar» (EG 28). Neste contexto, o melhor que tem para oferecer é «o Evangelho, que é a mensagem mais bela que há neste mundo» (EG 277). Neste tema aprofundamos a «convicção de que Deus pode atuar em qualquer circunstância, mesmo no meio de aparentes fracassos». Esta atitude «consiste em saber, com certeza, que a pessoa que se oferece e entrega a Deus por amor, seguramente será fecunda» (EG 279).

A desertificação espiritual

A paróquia missionária têm consciência da «desertificação espiritual» que caracteriza uma parte significativa da sociedade. E não só a sociedade em geral, mas também a «família ou o lugar de trabalho podem ser também o tal ambiente árido, onde há que conservar a fé e procurar irradiá-la». Sobre o «deserto espiritual» já tinha falado Bento XVI, aquando da abertura do Ano da Fé. E apresentou-o como um desafio. Por isso, a paróquia missionária também o assume como um desafio: «é precisamente a partir da experiência deste deserto, deste vazio, que podemos redescobrir a alegria de crer, a sua importância vital para nós, homens e mulheres. No deserto, é possível redescobrir o valor daquilo que é essencial para a vida; assim sendo, no mundo de hoje, há inúmeros sinais da sede de Deus, do sentido último da vida, ainda que muitas vezes expressos implícita ou negativamente. E, no deserto, existe sobretudo a necessidade de pessoas de fé que, com suas próprias vidas, indiquem o caminho para a Terra Prometida, mantendo assim viva a esperança». Perante esta realidade, a paróquia missionária convoca os seus membros a serem «pessoas-cântaro para dar de beber aos outros» (EG 86).

A ação de Cristo Ressuscitado e do Espírito Santo

A paróquia missionária convida a descobrir que «Cristo ressuscitado e glorioso é a fonte profunda da nossa esperança» (EG 275). Por isso, face às situações adversas ou menos favoráveis (como a «desertificação espiritual»), acredita e anuncia que a ressurreição de Jesus Cristo possui «uma força sem igual», «contém uma força de vida que penetrou o mundo» (EG 276). A fé significa acreditar que «a ressurreição de Cristo produz por toda a parte rebentos deste mundo novo; e, ainda que os cortem, voltam a despontar» (EG 278). E também «onde parecia que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado os rebentos da ressurreição» (EG 276). É alimentados por esta «esperança viva»  (EG 278) que os membros da paróquia missionária se tornam «pessoas-cântaro» (EG 86) sempre cheias das águas da salvação. A paróquia missionária é «fonte de água viva» que sacia os «sedentos» quando mantém «uma decidida confiança no Espírito Santo». Na verdade, «não há maior liberdade do que a de se deixar conduzir pelo Espírito, renunciando a calcular e controlar tudo e permitindo que Ele nos ilumine, guie, dirija e impulsione para onde Ele quiser. O Espírito Santo bem sabe o que faz falta em cada época e em cada momento. A isto chama-se ser misteriosamente fecundos!». O Papa relembra que «esta confiança generosa tem de ser alimentada e, para isso, precisamos de O invocar constantemente» (EG 280).

A força missionária da oração de intercessão

A paróquia missionária está convencida de que «há uma forma de oração que nos incentiva particularmente a gastarmo-nos na evangelização e nos motiva a procurar o bem dos outros: é a intercessão» (EG 281). Esta forma de oração ajuda cada um dos membros da paróquia missionária a não ter «um olhar incrédulo, negativo e sem esperança, mas uma visão espiritual, de fé profunda, que reconhece aquilo que o próprio Deus faz» nos outros. E «esta atitude transforma-se também num agradecimento a Deus pelos outros […], é a gratidão que brota de um coração verdadeiramente solícito pelos outros». Assim moldado pela força missionária da oração de intercessão, os membros da paróquia missionária assumem-se disponíveis para «fazer o bem e partilhar a vida com os outros» (EG 282). Ao destacar esta forma de oração, o Papa afirma que «a intercessão é como a ‘levedação’ no seio da Santíssima Trindade. É penetrarmos no Pai e descobrirmos novas dimensões que iluminam as situações concretas e as mudam» (EG 283).

Nos «desertos» atuais, quero ser uma «pessoa-cântaro»? Reconheço as sementes de ressurreição? Qual é o meu estilo missionário: cansado ou aberto à esperança? Acredito na fecundidade do Espírito Santo? Como retirar a oração de intercessão da rotina de seguir sempre a mesma simples lista de intenções («oração dos fiéis»)?