Anunciar a alegria da fé

Uma Igreja em saída

4. Julho. 2016

Francisco recorda com insistência, na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], que a «saída» missionária é uma questão vital para a Igreja. Este tema procura mostrar que a dinâmica de «saída» é uma exigência que nasce da Palavra de Deus, uma exigência que se concretiza em cinco verbos missionários: «Primeirear», envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar.

Francisco recorda com insistência, na Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], que a «saída» missionária é uma questão vital para a Igreja: «Fiel ao modelo do Mestre, é vital que hoje a Igreja saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo» (EG 23). Este tema procura mostrar que a dinâmica de «saída» é uma exigência que nasce da Palavra de Deus, uma exigência que se concretiza em cinco verbos missionários: «Primeirear», envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar. O Papa refere também a «alegria missionária» já desenvolvida no início da EG (cf. temas 3, 4 e 5): «Esta alegria é um sinal de que o Evangelho foi anunciado e está a frutificar. Mas contém sempre a dinâmica do êxodo e do dom, de sair de si mesmo, de caminhar e de semear sempre de novo, sempre mais além» (EG 21).

Exigência da Palavra de Deus

A paróquia missionária sabe que a dinâmica da «saída» não é uma moda, mas uma exigência que brota da Palavra de Deus. Na verdade, «a Palavra possui, em si mesma, uma tal potencialidade, que não a podemos prever. O Evangelho fala da semente que, uma vez lançada à terra, cresce por si mesma, inclusive quando o agricultor dorme (cf. Marcos 4, 26-29)». Por isso, a paróquia missionária tem de «aceitar esta liberdade incontrolável da Palavra, que é eficaz a seu modo e sob formas tão variadas que muitas vezes nos escapam, superando as nossas previsões e quebrando os nossos esquemas» (EG 22). Assim, ninguém se pode negar a sair. E não servem as desculpas da intimidade com Jesus Cristo ou o compromisso comunitário. A verdadeira intimidade «é uma intimidade itinerante, e a comunhão ‘reveste essencialmente a forma de comunhão missionária’» (EG 23).

Cinco verbos missionários

A paróquia missionária identifica-se com os cinco verbos propostos pelo papa Francisco: «Primeirear», envolver-se, acompanhar, frutificar e festejar. O primeiro verbo incita a tomar a iniciativa.  «A comunidade missionária experimenta que o Senhor tomou a iniciativa, precedeu-a no amor (cf. 1João 4, 10), e, por isso, ela sabe ir à frente, sabe tomar a iniciativa sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e chegar às encruzilhadas dos caminhos para convidar os excluídos. Vive um desejo inexaurível de oferecer misericórdia, fruto de ter experimentado a misericórdia infinita do Pai e a sua força difusiva. […] Como consequência, a Igreja sabe ‘envolver-se’. Jesus lavou os pés aos seus discípulos. O Senhor envolve-Se e envolve os seus, pondo-Se de joelhos diante dos outros para os lavar; mas, logo a seguir, diz aos discípulos: ‘Sereis felizes se o puserdes em prática’ (João 13, 17). Com obras e gestos, a comunidade missionária entra na vida diária dos outros, encurta as distâncias, abaixa-se – se for necessário – até à humilhação e assume a vida humana, tocando a carne sofredora de Cristo no povo. Os evangelizadores contraem assim o ‘cheiro das ovelhas’, e estas escutam a sua voz. Em seguida, a comunidade evangelizadora dispõe-se a ‘acompanhar’. Acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam. Conhece as longas esperas e a suportação apostólica. A evangelização patenteia muita paciência, e evita deter-se a considerar as limitações. Fiel ao dom do Senhor, sabe também ‘frutificar’. A comunidade evangelizadora mantém-se atenta aos frutos, porque o Senhor a quer fecunda. Cuida do trigo e não perde a paz por causa do joio. O semeador, quando vê surgir o joio no meio do trigo, não tem reações lastimosas ou alarmistas. Encontra o modo para fazer com que a Palavra se encarne numa situação concreta e dê frutos de vida nova, apesar de serem aparentemente imperfeitos ou defeituosos. O discípulo sabe oferecer a vida inteira e jogá-la até ao martírio como testemunho de Jesus Cristo, mas o seu sonho não é estar cheio de inimigos, mas antes que a Palavra seja acolhida e manifeste a sua força libertadora e renovadora. Por fim, a comunidade evangelizadora jubilosa sabe sempre ‘festejar’: celebra e festeja cada pequena vitória, cada passo em frente na evangelização. No meio desta exigência diária de fazer avançar o bem, a evangelização jubilosa torna-se beleza na liturgia. A Igreja evangeliza e se evangeliza com a beleza da liturgia, que é também celebração da atividade evangelizadora e fonte dum renovado impulso para se dar» (EG 24).

Assumo a exigência que nasce da Palavra de Deus? A intimidade com Jesus Cristo é incompatível com a saída missionária? Conheço os cinco verbos missionários? Quais os verbos que precisam de ser mais e/ou melhor conjugados na minha paróquia?