Quinto domingo | Ano C

Eis-me aqui: podeis enviar-me

27. Janeiro. 2016

O verdadeiro crente sabe que é indigno e pecador, invoca a misericórdia de Deus, e não deixa de assumir a missão. O profeta Isaías (o mesmo vão fazer Pedro e Paulo) é um bom exemplo, pois, apesar de ser um «homem de lábios impuros» não recusa a missão profética que lhe é confiada. Em 2016, o quinto domingo celebra-se no dia 7 de fevereiro.

O quinto domingo (Ano C) segue a temática do anterior no que diz respeito ao anúncio da palavra de Deus. Antes, foi Jeremias o escolhido e consagrado para ser porta-voz de Deus; agora, é Isaías que recebe a vocação profética durante uma visão grandiosa. E, embora se sinta impuro, responde afirmativamente ao convite divino (primeira leitura). De facto, desde sempre, está em causa o anúncio do amor e da misericórdia de Deus, o anúncio da alegria do Evangelho. Motivos não faltam para dar graças (salmo). Ora, também Paulo foi chamado, apesar da sua indignidade (segunda leitura). E até as resistências de Pedro (evangelho) não impedem que se venha a tornar o primeiro dos apóstolos. Deus confia em todos os seus filhos!

«Eis-me aqui: podeis enviar-me»

A narração da vocação de Isaías, no texto proposto para primeira leitura, começa com uma referência cronológica à história do povo bíblico. O chamamento dá-se aquando da morte do rei: «no ano em que morreu Ozias, rei de Judá». As pessoas mais atentas hão de perceber que se aproximam mudanças na vida da comunidade de Judá. É o Espírito de Deus que continua a agir no meio dos acontecimentos da vida quotidiana.
Em primeiro lugar, o profeta sente-se intimidado: Deus, três vezes Santo, toma a iniciativa de se dirigir a um mortal e pecador. Isaías fica quase paralisado devido à sua impureza: «Ai de mim, que estou perdido, porque sou um homem de lábios impuros». Assim, o texto deixa muito claro que o sentido da missão profética provém diretamente da compreensão que se tem de Deus e da força da sua palavra.
Os seres celestes cantam o mistério da realidade divina, uma realidade completamente diferente de qualquer outra: Deus é três vezes Santo; Deus é exterior à Criação, à qual preside com soberania; Deus é Senhor de justiça e de amor, que a todos convida a viver animados pelos mesmos princípios.
Só uma brasa ardente, símbolo da justiça e da misericórdia de Deus, pode purificar o ser humano e torná-lo apto a servir na missão profética de anunciar a palavra divina. Então, perante a pergunta, logo surge a resposta: «Eis-me aqui: podeis enviar-me».

O verdadeiro crente sabe que é indigno e pecador, invoca a misericórdia de Deus, e não deixa de assumir a missão. O profeta Isaías (o mesmo vão fazer Pedro e Paulo) é um bom exemplo, pois, apesar de ser um «homem de lábios impuros» não recusa a missão profética que lhe é confiada. Depois de Isaías, de Pedro, de Paulo, também nós somos tocados pelo ardor da Palavra incandescente que desce ao nosso coração, Jesus Cristo, presença viva no sacramento da Eucaristia, para nos tornarmos discípulos missionários do anúncio da alegria do Evangelho. Que resposta podemos dar senão esta: «Eis-me aqui: podeis enviar-me». Aliás, não somos nós que nos aproximamos de Deus. É Deus que, em Jesus Cristo, se aproxima de nós e abre os nossos lábios para anunciarmos o seu louvor. «Não nos deixemos roubar o entusiasmo missionário! […] Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização!» (EG 80.83).

Primeira leitura própria do ano c

Jeremias 1, 4-5.17-19

No tempo de Josias, rei de Judá, a palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: «Antes de te formar no ventre materno, Eu te escolhi; antes que saísses do seio de tua mãe, Eu te consagrei e te constituí profeta entre as nações. Cinge os teus rins e levanta-te, para ires dizer tudo o que Eu te ordenar. Não temas diante deles, senão serei Eu que te farei temer a sua presença. Hoje mesmo faço de ti uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e uma muralha de bronze, diante de todo este país, dos reis de Judá e dos seus chefes, diante dos sacerdotes e do povo da terra. Eles combaterão contra ti, mas não poderão vencer-te, porque Eu estou contigo para te salvar».

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