Batismo de Jesus

Eis o vosso Deus

4. Janeiro. 2016

A festa do Batismo de Jesus é de origem recente: foi instituída em 1960, com data fixa — 13 de janeiro —, o oitavo dia após a festa da Epifania (6 de janeiro). Na última reforma do calendário litúrgico, esta festa foi transferida para o domingo após a Epifania… Em 2016, celebra-se no domingo, 10 de janeiro.

A Liturgia dá um salto no tempo  — da infância para a idade adulta — e convida-nos a celebrar o Batismo de Jesus, um acontecimento em que se expressa a plenitude da «epifania» ou manifestação do Messias. O profeta Isaías tinha anunciado o dia em que os mensageiros da boa nova diriam ao povo: «Eis o vosso Deus» (primeira leitura). Bendigamos a grandeza das suas obras! (salmo). E, com Paulo, acolhamos o dom da salvação: em Jesus Cristo, «manifestou-se a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens»; em Jesus Cristo, manifestou-se «a bondade de Deus nosso Salvador e o seu amor para com os homens» (segunda leitura). O Espírito Santo, pelo batismo, faz-nos participantes da mesma vida de Jesus Cristo, cuja filiação divina é revelada nas margens do rio Jordão: «Tu és o meu Filho muito amado: em Ti pus toda a minha complacência» (evangelho).

«Eis o vosso Deus»

O poema proposto para primeira leitura da festa do Batismo de Jesus (Ano C) faz parte dos primeiros versículos do capítulo 40, o início do «Segundo Isaías» (capítulos 40 a 55). Estamos na segunda metade do século sexto antes de Cristo. O povo de Judá permanece no cativeiro da Babilónia. Contudo, a mensagem profética sofre uma mudança radical: já não fala de castigo e de pecado, mas de perdão, consolação, regresso a casa, intervenção salvífica de Deus.
Antecipa-se um segundo êxodo, uma nova travessia pelo deserto, desta vez sem as penúrias da primeira. Deus assegura que a vida do povo está prestes a mudar. Não é de estranhar, portanto, que os evangelhos citem fragmentos deste poema, aplicando-os à novidade radical que se inicia com a história de Jesus Cristo!
Então, surge uma voz decidida, depois designada como a voz do «arauto de Sião» e «arauto de Jerusalém», para anunciar a proximidade da comitiva, que regressa orientada pelo poder do próprio Deus.
Deus, como um pastor, guia o povo com ternura e segurança. Ele, que parecia estar ausente no exílio, agora torna-se presente: «Eis o vosso Deus». A descrição evoca futuro, esperança, alegria, vida nova. Deus não abandona, mas salva o povo.

A festa do Batismo de Jesus é de origem recente: foi instituída em 1960, com data fixa — 13 de janeiro —, o oitavo dia após a festa da Epifania (6 de janeiro). Na última reforma do calendário litúrgico, esta festa foi transferida para o domingo após a Epifania (contudo, como alerta o Lecionário, «onde a solenidade da Epifania é transferida para o domingo seguinte, quando ela ocorre no dia 7 ou 8 de janeiro, a festa do Batismo do Senhor é transferida para a segunda-feira imediatamente a seguir»). Aos promotores desta festa pareceu-lhes que a manifestação de Jesus Cristo ao mundo alcança a sua plenitude no momento em que se ouve a voz do Pai aquando do batismo, no rio Jordão. Por outro lado, ofereceu-se aos batizados e batizadas uma bela ocasião para refletir sobre a nossa condição, já que é no batismo que começa a nossa biografia cristã, o caminho da nossa fé como discípulos missionários da alegria do Evangelho.

Primeira leitura própria do ano c

Isaías 42, 1-4.6-7

Diz o Senhor: «Eis o meu servo, a quem Eu protejo, o meu eleito, enlevo da minha alma. Sobre ele fiz repousar o meu espírito, para que leve a justiça às nações. Não gritará, nem levantará a voz, nem se fará ouvir nas praças; não quebrará a cana fendida, nem apagará a torcida que ainda fumega: proclamará fielmente a justiça. Não desfalecerá nem desistirá, enquanto não estabelecer a justiça na terra, a doutrina que as ilhas longínquas esperam. Fui Eu, o Senhor, que te chamei segundo a justiça; tomei-te pela mão, formei-te e fiz de ti a aliança do povo e a luz das nações, para abrires os olhos aos cegos, tirares do cárcere os prisioneiros e da prisão os que habitam nas trevas».

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