Páscoa 2016 | Ano C

Gerar missão

26. Março. 2016

A Páscoa é, ao mesmo tempo, meta e ponto de partida. Para o discípulo missionário, como meta, aponta para o futuro, para a entrada definitiva na vida nova dos ressuscitados. Como ponto de partida, situa-o na vida presente. Os relatos bíblicos evidenciam estas duas dimensões. Neste itinerário, valorizamos a Páscoa como ponto de partida, no qual o encontro com o Ressuscitado não pode ficar no silêncio, mas precisa de ser comunicado aos outros.

A Páscoa é, ao mesmo tempo, meta e ponto de partida. Para o discípulo missionário, como meta, aponta para o futuro, para a entrada definitiva na vida nova dos ressuscitados. Como ponto de partida, situa-o na vida presente. Os relatos bíblicos evidenciam estas duas dimensões. Neste itinerário, valorizamos a Páscoa como ponto de partida, no qual o encontro com o Ressuscitado não pode ficar no silêncio, mas precisa de ser comunicado aos outros. Os (primeiros) discípulos experienciam a missão de anunciar a alegria do Evangelho. Na experiência dos primeiros discípulos relatada no livro dos Atos dos Apóstolos, aprofundamos a missão evangelizadora no presente que nos é dado viver. A liturgia tem como objetivo proporcionar, com particular intensidade, o encontro pessoal e comunitário com o Ressuscitado, com o dom do Espírito Santo e com o consequente nascimento e missão da Igreja. Não se trata de ensinamentos doutrinais, mas de uma autêntica experiência da fé cristã, de uma redescoberta da identidade cristã.

Páscoa: gerar missão

A missão, na dinâmica da pastoral de gestação, não se interroga, em primeiro lugar, sobre «que anúncio do Evangelho devemos transmitir ao nosso tempo», mas sobre «que anúncio do Evangelho nos é feito hoje». Não está em causa «aquilo que devemos dizer aos outros, para tocá-los e convertê-los, mas, primeiro que tudo, aquilo que precisamos de ouvir. Verifica-se assim uma inversão da pergunta que nos coloca em posição de ‘recetores’ do Evangelho e, portanto, em situação de esperança». Aliás, a missão gerada pelo acontecimento pascal «faz-nos sair de nós mesmos, das nossas certezas, dos nossos hábitos, dos nossos próprios lugares, para nos conduzir até à ‘Galileia’, terra das nações, terra dos encontros e das culturas na sua diversidade. É para lá que somos enviados, cheios de esperança, para procurar o Ressuscitado que nos precede nessas paragens». Abrem-se «novos espaços, onde a fé cristã pode emergir com uma renovada pertinência na busca de mais humanidade e de melhor qualidade de vida». Ora, esta reconfiguração da missão que passa por «descobrir aí o rasto do Ressuscitado» pode proporcionar um tempo de germinação e de gestação em que se revisitam «as coisas da fé com uma nova frescura». Concentra-se em «tornar possível os começos e os recomeços da fé, favorecê-los e acompanhá-los». Assim, a pastoral da gestação propõe uma passagem «da pastoral da censura à pastoral da aproximação» e «do diálogo dialético ao diálogo dialogal». Gerar missão é assumir que não existem «afastados», mas «próximos». O «diálogo dialogal» consiste em renunciar, «livre e totalmente, a toda a forma de poder sobre o outro, sem tentar convencê-lo ou utilizá-lo, na transparência e na gratuidade». Significa «aprender a identificar a ‘gramática de Deus’» na vida do «próximo». Só assim se podem descobrir os «sinais do Espírito Santo em ação, vestígios do mistério desse Deus que nos precede». Por isso, «são necessárias testemunhas para ler o mistério pascal em ação na experiência quotidiana, e para ousar dizer aos outros aquilo que eles reconhecem simplesmente, sem pretensões de impor a sua própria interpretação». Gerar missão é fazer com que a Igreja se torne «um sinal da ternura de Deus com sentido para os nossos contemporâneos» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas).

Laboratório da Fé anunciada

«O discípulo, à medida que conhece e ama o seu Senhor, experimenta a necessidade de compartilhar com outros a sua alegria de ser enviado, de ir ao mundo para anunciar Jesus Cristo, morto e ressuscitado, e tornar realidade o amor e o serviço na pessoa dos mais necessitados, em uma palavra, a construir o Reino de Deus. A missão é inseparável do discipulado» (Documento de Aparecida, 278). Em registo pascal, a «fé anunciada» não é uma doutrina ou um sistema moral, mas, sobretudo, a própria experiência dos discípulos. A experiência pascal faz discípulos missionários. Estes não se contentam em programar, organizar, falar, ensinar… Em tudo isso, e através disso, são chamados pelo Ressuscitado a serem suas testemunhas. É a missão. Antes de mais, é uma mudança interior que provoca um novo estilo de vida, o estilo de vida cristão. O discípulo missionário mergulha na vida nova do Ressuscitado e converte-se, ele mesmo, em «evangelho» para todos os que encontra no caminho da vida. Com as suas palavras e seus gestos, com a sua ação e a sua paixão, anuncia a todos a alegria da fé.