Maio 2016 | Mês de Maria

Maria, Mãe de Misericórdia

1. Maio. 2016

Maio é o mês por excelência em que o nosso pensamento se volta para Maria. Com ela, podemos viver mais intensamente a nossa identidade de discípulos missionários da misericórdia.

A missão e a comunhão são dois dos cinco «aspetos fundamentais» que marcam a identidade do discípulo missionário (Documento de Aparecida, 278). A dinâmica de gestação que orienta o presente ano pastoral remete a missão para a Páscoa e a comunhão para a segunda parte do Tempo Comum. Ora, o mês de maio está na transição entre esses dois momentos: no dia 15, o Pentecostes encerra o tempo de Páscoa; no dia 16, recomeça o Tempo Comum. No itinerário pascal valorizamos a missão como ponto de partida, no qual o encontro com o Ressuscitado não pode ficar no silêncio, mas precisa de ser comunicado aos outros. Os (primeiros) discípulos experienciam a missão de anunciar a alegria do Evangelho. O versículo 14 do primeiro capítulo do livro dos Atos dos Apóstolos refere que os discípulos «perseveravam unidos em oração, em companhia de algumas mulheres, entre as quais, Maria, mãe de Jesus». Com este testemunho pascal, o que nos impede de olhar para Maria como discípula missionária?

Maio, Mês de Maria: Mãe de Misericórdia

Maio é o mês por excelência em que o nosso pensamento se volta para Maria. Com ela, podemos viver mais intensamente a nossa identidade de discípulos missionários da misericórdia. Maria é «aquela que, de modo particular e excecional — como ninguém mais —, experimentou a misericórdia e, também de modo excecional, tornou possível com o sacrifício do coração a sua participação na revelação da misericórdia divina. […] Maria é aquela que conhece mais profundamente o mistério da misericórdia divina. […] Neste sentido chamamos-lhe Mãe da misericórdia, Nossa Senhora da Misericórdia, ou Mãe da divina misericórdia» (João Paulo II, Carta Encíclica sobre a misericórdia divina, 9). O Catecismo da Igreja Católica (número 2677) lembra que, na «Ave Maria», pedir «rogai por nós, pecadores, agora e na hora da nossa morte» é recorrer à «Mãe de Misericórdia». A celebração jubilar reforça o convite a imitar Maria como discípula missionária da alegria da misericórdia. «A doçura do seu olhar nos acompanhe neste Ano Santo, para podermos todos nós redescobrir a alegria da ternura de Deus. Ninguém, como Maria, conheceu a profundidade do mistério de Deus feito homem. Na sua vida, tudo foi plasmado pela presença da misericórdia feita carne. A Mãe do Crucificado Ressuscitado entrou no santuário da misericórdia divina, porque participou intimamente no mistério do seu amor. Escolhida para ser a Mãe do Filho de Deus, Maria foi preparada desde sempre, pelo amor do Pai, para ser Arca da Aliança entre Deus e os homens. Guardou, no seu coração, a misericórdia divina em perfeita sintonia com o seu Filho Jesus. O seu cântico de louvor, no limiar da casa de Isabel, foi dedicado à misericórdia que se estende ‘de geração em geração’ (Lucas 1, 50). Também nós estávamos presentes naquelas palavras proféticas da Virgem Maria […]. Ao pé da cruz, Maria, juntamente com João, o discípulo do amor, é testemunha das palavras de perdão que saem dos lábios de Jesus. O perdão supremo oferecido a quem O crucificou, mostra-nos até onde pode chegar a misericórdia de Deus. Maria atesta que a misericórdia do Filho de Deus não conhece limites e alcança a todos, sem excluir ninguém. Dirijamos-lhe a oração, antiga e sempre nova, da ‘Salve Rainha’, pedindo-lhe que nunca se canse de volver para nós os seus olhos misericordiosos e nos faça dignos de contemplar o rosto da misericórdia, seu Filho Jesus» (Francisco, Bula de Convocação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 24).

Laboratório da fé anunciada

Em registo pascal, a «fé anunciada» não é uma doutrina ou um sistema moral, mas, sobretudo, a própria experiência dos discípulos. A experiência pascal faz discípulos missionários. Retomando o relato dos Atos dos Apóstolos percebemos também a presença de Maria como um contributo para gerar comunhão, pois «não pode existir vida cristã fora da comunidade: nas famílias, nas paróquias […]. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária. É também acompanhado e estimulado pela comunidade e por seus pastores para amadurecer na vida do Espírito» (Documento de Aparecida, 278). A vida em comunidade é essencial para não esmorecer no ardor de anunciar a alegria do Evangelho, a alegria da misericórdia. Aqui podemos enquadrar a intenção do Papa para este mês de maio: «Para que se difunda nas famílias, comunidades e grupos a prática de rezar o santo Rosário pela evangelização e pela paz». Ter a «fé anunciada» como horizonte é também rezar pela evangelização!