Oitava do Natal

Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração

1. Janeiro. 2017

Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. Ela conhecia parte da verdade. Há de tornar-se guardiã e mediadora do mistério daquele Menino, no qual se encontram e se reconciliam o divino e o humano. Por enquanto, a realidade é demasiado ampla para ser compreendida de um só fôlego; é preciso ir meditando-a no coração. Que belo testemunho de fé contemplada! No primeiro dia do ano (1 de janeiro), a liturgia celebra a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus.

Oito dias após a comemoração do nascimento de Jesus, a Igreja celebra a Mãe de Deus, Santa Maria. O oitavo dia do Menino é igualmente, segundo os rituais judaicos, o da circuncisão e da atribuição do nome (evangelho). As evocações de bênçãos próprias do primeiro dia do ano (primeira leitura e salmo) ligam-se com o gesto contemplativo dos pastores. E referindo-se ao “Filho, nascido de uma mulher e sujeito à Lei”, Paulo recorda que também nós somos filhos “por graça de Deus” (segunda leitura). Hoje é ainda o Dia Mundial da Paz, instituído em 1967 pelo beato Paulo VI.

Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração

No domingo após a Páscoa, a liturgia propõe o texto evangélico segundo João, no qual se diz que “oito dias depois” o Senhor Jesus Cristo voltou a encontrar-se com os discípulos, com todos! Eis consagrado o domingo como o dia do Senhor, o primeiro, o oitavo dia, o ciclo semanal do encontro com o Ressuscitado.

Em certo sentido, no primeiro dia do ano acontece o mesmo, uma vez que se dá a feliz coincidência com o domingo. Os pastores, no dia de Natal, encontraram tudo como o anjo lhes tinha dito; e “regressaram, glorificando e louvando a Deus”. Neste caso, o oitavo dia é o do pleno cumprimento dos anúncios a Maria, a José, aos pastores. Estes passam de recetores a emissores do anúncio (tal como os discípulos). Estamos na plenitude dos tempos!

Maria conservava todos estes acontecimentos, meditando-os em seu coração. Ela conhecia parte da verdade. Há de tornar-se guardiã e mediadora do mistério daquele Menino, no qual se encontram e se reconciliam o divino e o humano. Por enquanto, a realidade é demasiado ampla para ser compreendida de um só fôlego; é preciso ir meditando-a no coração. Que belo testemunho de fé contemplada!

Conservar contém a ideia de guardar na memória o que se vê e/ou escuta. Meditar remete para a capacidade de pensar sobre o que se vê e/ou escuta. São, portanto, termos que se completam mutuamente. Assim, a relação entre os dois pode-se traduzir pela capacidade em rezar, ler a vida a partir de Deus: contemplar.

Interioridade plena de paz

Conservar e meditar são atitudes de Maria que já se tinham evidenciado aquando da visita a Isabel. O Magnificat expressa a interioridade do ser que se sente agradecido pelas maravilhas realizadas por Deus. Por isso, é uma magnífica oração para ser rezada todos os dias deste “Ano Mariano”. Ao mesmo tempo, “nas mãos de Maria, Mãe do Redentor, coloquemos as nossa esperanças com confiança filial. A Ela, que estende a sua maternidade a todos os seres humanos, confiemos o brado de paz das populações oprimidas pela guerra e pela violência, para que a coragem do diálogo e da reconciliação prevaleça sobre as tentações de vingança, de prepotência e de corrupção. A Ela peçamos que o Evangelho da fraternidade, anunciado e testemunhado pela Igreja, possa falar a cada consciência e abater os muros que impedem aos inimigos que se reconheçam irmãos” (Francisco, Angelus, 1 de janeiro de 2014).