Terceiro Domingo da Quaresma | Ano C

O Deus de vossos pais enviou-me a vós

25. Fevereiro. 2016

Depois de Abraão (Segundo Domingo da Quaresma), surge agora Moisés. Embora não seja o «fundador» do judaísmo, é nele uma pedra fundamental. Moisés não vai agir por conta própria, mas é «Outro» (Deus) que quer precisar dele, visita-o e convoca-o para uma missão: «O Deus de vossos pais enviou-me a vós». Em 2016, o Terceiro Domingo da Quaresma celebra-se no dia 28 de fevereiro.

A Quaresma é o tempo da conversão e da misericórdia. O Terceiro Domingo da Quaresma (Ano C) põe em evidência esta mensagem na Liturgia da Palavra: uma Palavra que revela Deus presente junto do seu povo (primeira leitura), clemente e cheio de compaixão (salmo), paciente para com todos (evangelho), que nos convoca à conversão. Entretanto, Paulo adverte: o desejo de conversão tem de ser permanente (segunda leitura). Não podemos relaxar! Não podemos pensar que estamos «imunes» só pelo facto de sermos batizados: Jesus Cristo di-lo claramente. A Quaresma é o tempo da sinceridade do coração, o tempo do amor verdadeiro.

«O Deus de vossos pais enviou-me a vós»

A sarça ardente que não se consome é, na Sagrada Escritura, um dos símbolos fundamentais para expressar a presença de Deus. No fragmento do livro do Êxodo proposto para primeira leitura está patente o que se pode designar como autodescrição de Deus: «Eu sou ‘Aquele que sou’».
Depois de Abraão (Segundo Domingo da Quaresma), surge agora Moisés. Embora não seja o «fundador» do judaísmo, é nele uma pedra fundamental.
A teofania (manifestação de Deus) surge, como sempre, de forma inesperada. Moisés sente-se atraído pelo fenómeno da sarça ardente. Aproxima-se para a contemplar melhor, quando é interpelado pelo mistério de Deus. Os elementos da manifestação do divino vão surgindo pouco a pouco: o monte, lugar da presença de Deus; o Anjo que fala; a sarça que arde sem se consumir. Estes elementos visuais e simbólicos estão acompanhados por palavras que os explicam: o monte é o Horeb; do meio da sarça, Deus chama Moisés pelo nome; este responde (diálogo); Deus pede que tire as sandálias (sacralidade do lugar/momento); Moisés cobre o rosto (atitude constante nas teofanias).
O centro da teofania é ocupado pelas intervenções divinas. Deus começa por se apresentar como «familiar» dos hebreus («Eu sou o Deus de teus pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob»), assinalando desta forma uma continuidade na história da salvação. E revela-se não como um Deus impassível, mas como capaz de compaixão e misericórdia: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egito; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias. Desci para o libertar das mãos dos egípcios».
Moisés não vai agir por conta própria, mas é «Outro» (Deus) que quer precisar dele, visita-o e convoca-o para uma missão: «O Deus de vossos pais enviou-me a vós».

Eis uma bela apresentação de cada experiência de encontro com Deus: Aquele que se dá a conhecer na sarça ardente que não se consome é o Deus que escuta o clamor dos seus filhos oprimidos e dispõe-se a agir como protetor e libertador dos desprotegidos. Os gritos de misericórdia «ardem» no coração de Deus. «Há momentos em que somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai. Foi por isso que proclamei um Jubileu Extraordinário da Misericórdia como tempo favorável para a Igreja» (MV 3).

Primeira leitura — texto bíblico

Êxodo 3, 1-8a.13-15

Naqueles dias, Moisés apascentava o rebanho de Jetro, seu sogro, sacerdote de Madiã. Ao levar o rebanho para além do deserto, chegou ao monte de Deus, o Horeb. Apareceu-lhe então o Anjo do Senhor numa chama ardente, do meio de uma sarça. Moisés olhou para a sarça, que estava a arder, e viu que a sarça não se consumia. Então disse Moisés: «Vou aproximar-me, para ver tão assombroso espetáculo: por que motivo não se consome a sarça?». O Senhor viu que ele se aproximava para ver. Então Deus chamou-o do meio da sarça: «Moisés, Moisés!». Ele respondeu: «Aqui estou!» Continuou o Senhor: «Não te aproximes. Tira as sandálias dos pés, porque o lugar que pisas é terra sagrada». E acrescentou: «Eu sou o Deus de teus pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob». Então Moisés cobriu o rosto, com receio de olhar para Deus. Disse-lhe o Senhor: «Eu vi a situação miserável do meu povo no Egito; escutei o seu clamor provocado pelos opressores. Conheço, pois, as suas angústias. Desci para o libertar das mãos dos egípcios e o levar deste país para uma terra boa e espaçosa, onde corre leite e mel». Moisés disse a Deus: «Vou procurar os filhos de Israel e dizer-lhes: ‘O Deus de vossos pais enviou-me a vós’. Mas se me perguntarem qual é o seu nome, que hei de responder-lhes?». Disse Deus a Moisés: «Eu sou ‘Aquele que sou’». E prosseguiu: «Assim falarás aos filhos de Israel: O que Se chama ‘Eu sou’ enviou-me a vós». Deus disse ainda a Moisés: «Assim falarás aos filhos de Israel: ‘O Senhor, Deus de vossos pais, Deus de Abraão, Deus de Isaac e Deus de Jacob, enviou-me a vós. Este é o meu nome para sempre, assim Me invocareis de geração em geração’».

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