Segundo Domingo da Quaresma | Ano C

O Senhor estabeleceu com Abraão uma aliança

18. Fevereiro. 2016

O livro do Génesis possui uma riqueza ímpar em referências simbólicas. A sua intenção é, sobretudo, dar a conhecer uma «história da salvação» para toda a Humanidade. O fragmento proposto para primeira leitura situa-nos na promessa feita a Abraão: uma descendência e uma terra. Em 2016, o Segundo Domingo da Quaresma celebra-se no dia 21 de fevereiro.

A Quaresma é o tempo da Aliança: Deus revela-se e convida-nos a participar na sua vida; Deus revela-se a Abraão, nosso pai na fé, conclui com ele uma Aliança (primeira leitura). Proteção, esperança, luz, salvação (salmo), Deus dá-se a quem o procura. E Paulo assegura-nos que a fé no Deus de Jesus Cristo abre para nós as portas da felicidade celeste (segunda leitura). Não é essa a experiência vivida por Pedro, Tiago e João, na montanha da Transfiguração (evangelho)? Experiência à qual também nós somos convidados em cada eucaristia, pois nela vamos ao encontro do Senhor para acolher a Palavra de luz e de vida.

«O Senhor estabeleceu com Abraão uma aliança»

Deus chama Abraão a pôr-se a caminho. O chamamento não é a uma mera migração de povos, mas a uma nova vida com a finalidade de oferecer a toda a Humanidade a experiência de renovação e libertação do pecado (depois do fratricídio na morte de Abel, depois da arrogância humana na construção da torre de Babel…).
O livro do Génesis possui uma riqueza ímpar em referências simbólicas. A sua intenção é, sobretudo, dar a conhecer uma «história da salvação» para toda a Humanidade. O fragmento proposto para primeira leitura do segundo domingo da Quaresma (Ano C) situa-nos na promessa feita a Abraão: uma descendência e uma terra. O plano divino propõe que Abraão e Sara formem uma grande família e sejam uma «fonte de bênçãos» para toda a terra. Abraão é ancião, como será pai de uma grande descendência? Abraão é um pastor itinerante, como será dono de uma grande porção de terra?
A resposta de Deus é clara: «Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar. […] Assim será a tua descendência». Depois, o texto descreve um episódio insólito: Deus manda a Abraão que sacrifique uns animais e «um brasido fumegante e um archote de fogo passaram entre os animais cortados».
Nos pactos de aliança do mundo antigo era o mais débil — o que se submetia ao poderoso — que tinha de passar entre os animais. Mas, neste caso, é o próprio Deus (através das imagens de «um brasido fumegante e um archote de fogo») quem se compromete pessoalmente com Abraão: «O Senhor estabeleceu com Abraão uma aliança».

No domingo passado (primeiro da Quaresma), a chave de interpretação da primeira leitura era a «terra» que Deus deu ao seu povo, depois de ter passado pelas experiências da escravidão no Egito e da travessia pelo deserto. Agora, a chave hermenêutica é a «aliança» feita com Abraão. O Deus bíblico revela-se como um Deus da história e da salvação (primeiro domingo) e como um Deus da aliança (segundo domingo).
O hebraico serve-se do termo «berit» para expressar a relação única, exclusiva e gratuita de Deus com Israel: única, porque não é comparável a outras experiências religiosas; exclusiva, porque não é feita com outros povos; gratuita, porque a iniciativa é de Deus.
A aliança iniciada com Abraão cumpre-se plenamente em Jesus Cristo. Com ele, Deus estabelece connosco uma Nova e Eterna Aliança: «é o meu Filho, o meu Eleito: escutai-O».

Primeira leitura — texto bíblico

Génesis 15, 5-12.17-18

Naqueles dias, Deus levou Abrão para fora de casa e disse-lhe: «Olha para o céu e conta as estrelas, se as puderes contar». E acrescentou: «Assim será a tua descendência». Abraão acreditou no Senhor, o que lhe foi atribuído como justiça. Disse-lhe Deus: «Eu sou o Senhor que te mandou sair de Ur dos caldeus, para te dar a posse desta terra». Abraão perguntou: «Senhor, meu Deus, como saberei que a vou possuir?». O Senhor respondeu-lhe: «Toma uma vitela de três anos, uma cabra de três anos e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho». Abraão foi buscar todos esses animais, cortou-os ao meio e pôs cada metade em frente da outra metade; mas não cortou as aves. Os abutres desceram sobre os cadáveres, mas Abraão pô-los em fuga. Ao pôr do sol, apoderou-se de Abraão um sono profundo, enquanto o assaltava um grande e escuro terror. Quando o sol desapareceu e caíram as trevas, um brasido fumegante e um archote de fogo passaram entre os animais cortados. Nesse dia, o Senhor estabeleceu com Abraão uma aliança, dizendo: «Aos teus descendentes darei esta terra, desde o rio do Egito até ao grande rio Eufrates».

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