Epifania

Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?

8. Janeiro. 2017

A Epifania é a manifestação de Deus a “uns Magos vindos do Oriente”. Vista na perspetiva daqueles homens, pode-se apelidar o acontecimento de Festa dos Magos ou Dia de Reis, como é designado pela religiosidade popular. Mas o mais importante é que Deus se dá a conhecer e, neles, dá-se a conhecer a todas as pessoas de todos os tempos e culturas, até hojeEm 2017, em Portugal, a Epifania celebra-se no dia 8 de janeiro.

Não há fronteiras para o Evangelho: eis a Boa Nova do domingo da Epifania! Os Magos, migrantes daquela época, têm um papel decisivo e irreversível na revelação a todas as nações: viram uma estrela, puseram-se a caminho (evangelho). É uma estrela que brilha para todos, basta erguer o olhar: “Levanta-te […]. Olha ao redor e vê” (primeira leitura), proclama Isaías. E Paulo põe em destaque a universalidade: “os gentios recebem a mesma herança que os judeus” (segunda leitura). Sim, a salvação é para “todos os povos da terra” (salmo). O decisivo está na abertura pessoal do coração. Para quem a acolhe, a estrela da Epifania torna-se a estrela da alegria.

Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?

A Epifania é a manifestação de Deus a “uns Magos vindos do Oriente”. Vista na perspetiva daqueles homens, pode-se apelidar o acontecimento de Festa dos Magos ou Dia de Reis, como é designado pela religiosidade popular. Mas o mais importante é que Deus se dá a conhecer e, neles, dá-se a conhecer a todas as pessoas de todos os tempos e culturas, até hoje.

O evangelho segundo Mateus não contém um relato sobre o nascimento de Jesus Cristo. Há somente referências no final do primeiro capítulo e no início do segundo. Este começa com uma indicação geográfica e temporal: “Tinha Jesus nascido em Belém da Judeia, nos dias do rei Herodes”.

O episódio dos Magos substitui a narração do nascimento. O objetivo é teológico, pelo que, ao evangelista, também não lhe interessa a descrição dos personagens: diz apenas que são “uns Magos vindos do Oriente”.

“Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer?” — perguntam ao chegar a Jerusalém. Mesmo sem o saber, eles são porta-vozes da busca que habita os homens e mulheres de todos os tempos. Onde está o sentido pleno da vida? Andamos à procura, vemos estrelas, pomo-nos a caminho, queremos encontrar a resposta.

A resposta é o Menino. A estrela é o Menino. Dos sinais externos passamos à pessoa: há que encontrar o Menino, Deus incarnado, Deus connosco. E vamos encontrá-lo no regaço de Maria, como não podia deixar de ser, pois é, através dela, que Deus se torna um ser humano.

Interioridade plena de luz

Os Magos acolheram o sinal, puseram-se a caminho, chegaram à meta. A partir desse momento, como lembrou Bento XVI, aquando da Jornada Mundial da Juventude em Colónia (20 de agosto de 2005), começou o caminho interior. O exemplo dos Magos mostra que a nossa viagem, o caminho da vida, só fica completa quando à peregrinação exterior associamos a peregrinação interior. Eles são os primeiros de uma longa lista de homens e mulheres que andam à procura de Deus. Por isso, a Epifania desafia a uma interioridade plena de luz. E, quem como os Magos se deixa iluminar interiormente pela presença de Deus, escolhe seguir “por outro caminho”, torna-se também ele luz para os outros. Em Ano Mariano, “a Virgem Maria nos ajude a sermos todos discípulos missionários, pequenas estrelas que refletem a sua luz” (Francisco, Angelus, 6 de janeiro de 2014).