Segundo domingo | ano c

Serás a alegria do teu Deus

6. Janeiro. 2016

Deus ama-te. Nunca te abandona. Cuida de ti em todos os momentos e circunstâncias da vida. Estas palavras dão-nos alegria, porque sabemos que não estamos sozinhos a percorrer o caminho. Deus está connosco, acompanha-nos. Em 2016, o segundo domingo celebra-se a 17 de janeiro.

O segundo domingo (Ano C) oferece-nos uma terceira epifania: depois da epifania aos Magos vindos do Oriente e da acontecida no Jordão, eis a epifania em Caná da Galileia, onde Jesus Cristo «manifestou a sua glória e os discípulos acreditaram n’Ele» (evangelho). Ora, é essa mesma glória que o salmista nos convida a cantar e a anunciar a «todos os povos» (salmo). Por outro lado, em relação com as Bodas de Caná, o texto profético destaca a importância bíblica da temática matrimonial para dizer a Aliança de Deus com o seu povo (primeira leitura). E é com Paulo que tomamos consciência do novo tempo litúrgico que estamos a viver: inicia-se a leitura da terceira parte da Primeira Carta aos Coríntios (segunda leitura).

«Serás a alegria do teu Deus»

A última parte do livro de Isaías (capítulos 56 a 66) é atribuída a um profeta anónimo («Terceiro Isaías» ou «Trito-Isaías») que viveu depois do cativeiro na Babilónia. O contexto geográfico destes capítulos situa-se em Judá. O coração desta parte situa-se entre os capítulos 60 e 62, cuja protagonista é a cidade de Jerusalém.
O fragmento proposto para primeira leitura faz parte de um oráculo de salvação (versículos 1 a 12) que apresenta Jerusalém como esposa de Deus. Introduzida pelo profeta Oseias, esta imagem foi também utilizada por outros profetas (Jeremias, Ezequiel, Isaías, entre outros) para ilustrar a estreita relação entre Deus e o povo de Israel. Aqui, a novidade é que não se trata de um reencontro dos esposos, mas de um autêntico noivado/casamento entre Deus e a cidade. A linguagem amorosa e matrimonial atravessa todo o texto: amor, coroa, diadema, predileta, esposo, desposa, esposa, marido.
O profeta apresenta a cidade como uma noiva que está impaciente, enquanto prepara o seu traje nupcial. Com uma rica sobreposição de imagens, o esposo surge como o sol que se espera com ansiedade ao amanhecer. Finalmente, brilha com todo o seu esplendor e a cidade, com os seus muros iluminados, resplandece como uma coroa de ouro. A cidade converte-se, então, na «coroa esplendorosa», no «diadema real» que o esposo coloca sobre a cabeça da esposa. Com o matrimónio, ela torna-se a nova rainha e recebe um nome novo: «Predileta» e «Desposada». A imagem da alegria na lua de mel reflete a mesma felicidade experimentada por Deus ao ser amado pelo seu povo: «serás a alegria do teu Deus».

Deus ama-te. Nunca te abandona. Cuida de ti em todos os momentos e circunstâncias da vida. Estas palavras dão-nos alegria, porque sabemos que não estamos sozinhos a percorrer o caminho. Deus está connosco, acompanha-nos. «Ele não Se limita a afirmar o seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias. A misericórdia de Deus é a sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos» (MV 9).

Primeira leitura

Isaías 62, 1-5

Por amor de Sião não me calarei, por amor de Jerusalém não terei repouso, enquanto a sua justiça não despontar como a aurora e a sua salvação não resplandecer como facho ardente. Os povos hão de ver a tua justiça e todos os reis a tua glória. Receberás um nome novo, que a boca do Senhor designará. Serás coroa esplendorosa nas mãos do Senhor, diadema real nas mãos do teu Deus. Não mais te chamarão «Abandonada», nem à tua terra «Deserta», mas hão de chamar-te «Predileta» e à tua terra «Desposada», porque serás a predileta do Senhor e a tua terra terá um esposo. Tal como o jovem desposa uma virgem, o teu Construtor te desposará; e como a esposa é a alegria do marido, tu serás a alegria do teu Deus.

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