Tempo Comum

Gerar comunhão

16. Maio. 2016

A última parte do Ano Litúrgico (entre a segunda-feira a seguir ao Pentecostes e o sábado da trigésima quarta semana, o dia anterior ao primeiro domingo de Advento do novo ano litúrgico) retoma o «Tempo Comum» interrompido para dar lugar à Quaresma e Páscoa. Gerar comunhão: é a temática que propomos para a segunda parte do «Tempo Comum».

A última parte do Ano Litúrgico (entre a segunda-feira a seguir ao Pentecostes e o sábado da trigésima quarta semana, o dia anterior ao primeiro domingo de Advento do novo ano litúrgico) retoma o «Tempo Comum» interrompido para dar lugar à Quaresma e Páscoa. É um (longo) período que nos sugere «valores que não se podem esquecer: ajuda-nos a ir vivendo o mistério de Cristo na sua totalidade; acompanha-nos na tarefa de crescimento e maturação de tudo o que celebrámos no Natal e na Páscoa; põe em evidência a primazia do domingo cristão; oferece-nos a escola permanente da Palavra bíblica; e faz-nos descobrir a graça do comum: a vida quotidiana vivida também como tempo da salvação» (José Aldazábal, «Dicionário Elementar de Liturgia», ed. Paulinas). Assim, em continuidade, valorizamos o convite a frequentar duas «escolas»: a «escola permanente da Palavra bíblica» através dos textos propostos para a primeira leitura de cada domingo; a escola «da vida quotidiana» que nos «faz descobrir a graça do comum».

 

Tempo Comum: gerar comunhão

Gerar comunhão: é a temática que propomos para a segunda parte do «Tempo Comum». Mesmo com as dificuldades circunstanciais próprias desta época (fim do ano pastoral, férias, novo ano pastoral), é possível fazer deste tempo uma oportunidade para gerar comunhão. Assumimos o pedido do papa Francisco: «Aos cristãos de todas as comunidades do mundo, quero pedir-lhes de modo especial um testemunho de comunhão fraterna, que se torne fascinante e resplandecente» (Exortação Apostólica sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual [EG], 99). Gerar comunhão envolve-nos num dos «aspetos fundamentais» na formação do discípulo missionário: «Não pode existir vida cristã fora da comunidade […]. Como os primeiros cristãos, que se reuniam em comunidade, o discípulo participa na vida da Igreja e no encontro com os irmãos, vivendo o amor de Cristo na vida fraterna solidária. É também acompanhado e estimulado pela comunidade e por seus pastores para amadurecer na vida do Espírito» (Documento de Aparecida, 278). Neste sentido, é fundamental «que todos possam admirar como vos preocupais uns pelos outros, como mutuamente vos encorajais, animais e ajudais». E para não resvalar importa ter também presente o alerta: «Cuidado com a tentação da inveja! Estamos no mesmo barco e vamos para o mesmo porto! Peçamos a graça de nos alegrarmos com os frutos alheios, que são de todos» (EG 99). Ora, «acompanhar-se mutuamente» é um dos tópicos essenciais na pastoral da gestação, «uma verdadeira prioridade pastoral»: «uma atitude de acolhimento e de dom, de prazer, de alegria e também de sofrimento, aceitando o luto, a travessia do desconhecido e a surpresa frente ao imprevisível da vida». Assim se potenciam «relações de reciprocidade […] que se vão desenvolvendo dia após dia». Uma aplicação concreta deste envolvimento pessoal e comunitário em chave de gestação leva a reconhecer que a formação de «grupos de crentes que releiam juntos a sua vida à luz do Evangelho oferece uma verdadeira oportunidade de futuro para as paróquias. […] O discernimento fraterno vivido em grupos de convívio, onde a palavra circula livremente, oferece mais oportunidades de comunhão» (Uma nova oportunidade para o Evangelho. Para uma pastoral da gestação, ed. Paulinas).

 

Laboratório da Fé anunciada

A vida em comunidade é essencial para não esmorecer no ardor de anunciar a alegria do Evangelho. Por isso, o fruto esperado da «fé anunciada» há de ser gerado em dinâmica de comunhão, acompanhamento mútuo. «A Palavra de Deus só dá fruto por contágio relacional» (Uma nova oportunidade para o Evangelho…). É o impulso de «fé anunciada» apoiado nesta mensagem: «Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar» (EG 164). Deste amor brota também «a missão de anunciar a misericórdia de Deus, coração pulsante do Evangelho […]. No nosso tempo, em que a Igreja está comprometida na nova evangelização, o tema da misericórdia exige ser reproposto com novo entusiasmo e uma ação pastoral renovada. É determinante para a Igreja e para a credibilidade do seu anúncio que viva e testemunhe, ela mesma, a misericórdia. A sua linguagem e os seus gestos, para penetrarem no coração das pessoas […], devem irradiar misericórdia» (Bula de Convocação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, 12).