Tempo Comum | Anos Pares

Carta de Tiago

16. Maio. 2016

Nas semanas sexta e sétima do Tempo Comum a liturgia propõe para primeira leitura dos anos pares a leitura da Carta de Tiago. É obra provavelmente de um judeu convertido ao cristianismo, culto e helenizado que, entre os anos 80 a 100 depois de Cristo, escreve aos cristãos de uma comunidade de língua grega, porventura também eles provenientes do judaísmo.

Neste «ano par» (2016), a segunda parte do Tempo Comum começa na sétima semana, no dia 16 de maio.

Nas semanas sexta e sétima do Tempo Comum a liturgia propõe para primeira leitura dos anos pares a leitura da Carta de Tiago. É obra provavelmente de um judeu convertido ao cristianismo, culto e helenizado que, entre os anos 80 a 100 depois de Cristo, escreve aos cristãos de uma comunidade de língua grega, porventura também eles provenientes do judaísmo. Oculta-se por detrás do nome de Tiago, conhecido como «Tiago, irmão do Senhor» (cf. Mateus 13, 55; Gálatas 1, 19), chamado «Tiago Menor»: personalidade eminente da comunidade cristã primitiva de Jerusalém (cf. Atos 15, 13; Gálatas 2, 9), morto no ano 62 (ou 66) da era cristã.

Mais do que uma Carta, trata-se — pelo estilo e pelo conteúdo — de uma homilia exortativa ou de uma catequese de tipo moralizante. Servindo-se especialmente da tradição profética (cf. a atenção que se deve dar aos pobres, em 2, 1-9) e da tradição sapiencial (cf. o apelo a dominar a própria língua, em 1, 26; 3, 2b-12), o autor procura responder à permanente tentação de separar as opções da vida quotidiana, da fé e da expressão religiosa.

Definida por Lutero como «carta de palha», porque não enfrenta temas fundamentais da fé, a Carta de Tiago insiste muito, no entanto, sobre um aspeto desde sempre caro ao cristianismo ocidental, ou seja, a relação entre obras e fé, problema tratado também por Paulo (cf. Romanos 3, 21 – 5, 1; Gálatas 2, 16; 3, 1-14) com o qual não há contrastes quanto às linhas de fundo.

Chamados a viver com alegria na prova (1, 1-12) e a perseverar nela (5, 7-11), os cristãos a quem Tiago escreve são convidados a adquirir uma autêntica «sabedoria cristã» (3, 13-18), pondo em prática e não só escutando a Palavra (1, 19-27), vivendo uma fé operosa e coerente (2, 14-26), especialmente para com os pobres (2, 1-13) e nas relações comunitárias (3, 1-12; 4, 1-12).

A conclusão relembra que a oração é a atitude concreta que permite viver com cada vez maior coerência a própria fé (5, 12-20).

© Lecionário comentado | Editora Paulus
© Adaptado pelo Laboratório da fé