Tempo Comum | Anos Pares

Segunda Carta a Timóteo

1. Junho. 2016

A Segunda Carta a Timóteo é, muito provavelmente, obra de um discípulo de Paulo que, por gratidão e sentido de justiça, atribui ao seu mestre o que escreve, alguns decénios após a morte do Apóstolo. Esta Carta é proposta para os dias feriais (quarta-feira a sábado) da nona semana dos «anos pares».

A Segunda Carta a Timóteo é, muito provavelmente, obra de um discípulo de Paulo que, por gratidão e sentido de justiça, atribui ao seu mestre o que escreve, alguns decénios após a morte do Apóstolo.

Esta Carta é proposta para os dias feriais (quarta-feira a sábado) da nona semana dos «anos pares».

Quanto ao género literário e conteúdo (mas não quanto à língua e teologia) distingue-se da primeira Carta a Timóteo e da Carta a Tito. Estas expõem, de facto, prescrições eclesiásticas destinadas à organização ministerial das Igrejas, já que transmitem os critérios para a seleção dos candidatos aos vários ministérios de diácono, presbítero e bispo, e para a admissão à ordem das viúvas.

A Segunda Carta a Timóteo, pelo contrário, apresenta-se como testamento de Paulo, um artifício literário utilizado pelo hagiógrafo evidentemente para exortar com mais força e autoridade os seus destinatários.

A forma de testamento aparece particularmente nos versículos em que «Paulo» diz: «Quanto a mim, o meu sangue está para ser derramado em libação […] combati o bom combate […]» (2Timóteo, 4, 6-8).

Mas é testamento também a entrega do «bom depósito da fé» (1, 14). Também o são as previsões obscuras para o futuro (na realidade o presente de quem escreve), acerca da decadência generalizada dos costumes (3, 1-9), a presença de malvados e de impostores (3, 13) e, finalmente, acerca dos mestres do erro que hão de deturpar a sã doutrina para se voltarem para fábulas e mitos (4, 1-4).

E são testamento espiritual as admoestações feitas a Timóteo (e a todos os herdeiros do ministério paulino) para aquelas três previsões: «Tu, porém, conheces de perto as perseguições que sofri» (3, 11); «Tu, porém, permanece firme naquilo que aprendeste» (3, 14); «Tu, porém, faz o trabalho de um anunciador do Evangelho» (4, 5).

São testamento também os muitos outros imperativos com os quais o Apóstolo procura fortalecer Timóteo e todos os futuros responsáveis das Igrejas: «Convido-te a reavivar o dom de Deus que está em ti pela imposição das minhas mãos» (1, 6); «Não te envergonhes de dar testemunho de Nosso Senhor» (1, 8); «Toma por modelo as sãs palavras que ouviste de mim» (1, 13); «O que ouviste de mim transmite-o a homens de confiança» (cf. 2, 2); «Lembra-te destas coisas…» (2, 14).

© Giuseppe de Carlo | Editora Paulus
© Adaptado pelo Laboratório da fé