Tempo Comum | Anos Pares

Segunda Carta de Pedro

30. Maio. 2016

Nos «anos pares», na segunda e terça-feira da nona semana, a liturgia propõe dois textos da Segunda Carta de Pedro (respetivamente o trecho da abertura e o do fecho), nos quais, pondo de lado os tons diretamente polémicos, o autor descreve a beleza da eleição cristã, com os compromissos que dela derivam. É uma Carta muito breve (consta apenas de três capítulos) e, provavelmente, representa um dos últimos documentos do Novo Testamento, acolhido no cânone cerca do século quinto depois de Cristo.

Nos «anos pares», na nona semana, a liturgia propõe dois escritos neotestamentários: a Segunda Carta de Pedro (segunda-feira e terça-feira) e a Segunda Carta a Timóteo (de quarta-feira a sábado).

A Segunda Carta de Pedro é muito breve (consta apenas de três capítulos) e, provavelmente, representa um dos últimos documentos do Novo Testamento, acolhido no cânone cerca do século quinto depois de Cristo.

Quem escreveu foi, provavelmente, um discípulo de Pedro, que terá vivido entre o final do século primeiro e o começo do século segundo (depois de Cristo), que lhe deu o nome do Apóstolo para conferir autoridade ao que afirma.

Tal como a Carta de Tiago, as Cartas de João, a Carta de Judas e a Primeira Carta de Pedro, a Segunda Carta de Pedro é considerada «católica» enquanto endereçada não a uma Igreja particular, mas a todos os cristãos.

Com tons duros e vocabulário por vezes difícil, manifesta o ímpeto de um anunciador de Cristo, obrigado a assistir à difusão de doutrinas falsas, corruptoras da mensagem evangélica, precisamente no momento em que sente próxima a sua morte (cf. 1, 14), e por isso nota nitidamente que tem pouca margem para intervir. Daqui a urgência e a decisão de escrever uma «carta/testamento» na qual chama a atenção — afim de continuar o seu testemunho — para o núcleo dos seus ensinamentos e dos ensinamentos recebidos dos profetas e dos Apóstolos (cf. 3, 1-2).

As secções centrais da Carta ilustram de perto os termos da questão.

O que preocupa o autor diz respeito, precisamente, à ação dos «falsos mestres», os quais introduzem heresias na comunidade, pregam erros, exploram avidamente os cristãos e vivem na imoralidade (2, 1-22). Mas se a sua condenação é forte e sem meias medidas, e o juízo de Deus é certo, deixa subentendido o conteúdo das suas pregações, que sabe que é conhecido dos seus primeiros destinatários.

Por aquilo que o texto nos deixa entender, conseguimos supor a influência das correntes filosóficas, gnósticas e semelhantes sobre essas pessoas, baseada numa interpretação arbitrária das Escrituras.

Um problema espinhoso diz respeito ao atraso da parusia, de que muitos se aproveitam para enfraquecer a fé dos cristãos, deturpando até o pensamento de Paulo. Sem hesitação o autor assegura que Jesus voltará porque é fiel às Suas promessas (3, 1-10). Legitima esta sua afirmação, e todo o arrazoado da sua Carta, na base de dois elementos: ele foi testemunha ocular da Transfiguração de Cristo, a qual é penhor e antecipação do seu regresso (cf. 1, 6-18); além disso, a Escritura profética tem um carácter inspirado (cf. 1, 21).

Portanto, o testemunho dos Apóstolos por um lado, e a fidelidade à Escritura interpretada à luz do Espírito, e não subjetivamente, por outro, constituem a base do verdadeiro ensinamento, que a comunidade deve escutar.

A liturgia propõe somente dois textos da Carta (respetivamente o trecho da abertura e o do fecho), nos quais, pondo de lado os tons diretamente polémicos, o autor descreve a beleza da eleição cristã, com os compromissos que dela derivam.

© Giuseppe de Carlo | Editora Paulus
© Adaptado pelo Laboratório da fé