Escola permanente da palavra bíblica

Primeira semana: alimento diário

Reflexão diária

Gerar fé. É a temática que propomos para a primeira parte do Tempo Comum. Este ano (2016) sugerimos um itinerário que permita frequentar duas «escolas». A primeira é a «escola permanente da Palavra bíblica» através dos textos propostos para a primeira leitura de cada dia. Este há de ser um «tempo favorável» para a gestação da fé. Não se trata de «técnica ou um procedimento particular», mas de um processo que «torna possível o nascimento e o amadurecimento da fé», um processo que permita novos «partos».

Nesta (primeira) semana iniciamos o Primeiro Livro de Samuel: começa com a tristeza de Ana perante a sua esterilidade (segunda-feira: «Ana, porque choras?»), passa pela graça divina concedida na conceção do filho (terça-feira: «Ana concebeu e deu à luz um filho»), Samuel, e desemboca na infância deste menino que se coloca disponível para escutar a palavra de Deus (quarta-feira: «Falai, Senhor, que o vosso servo escuta»). Depois, relatam-se os seus esforços em exaltar a Arca da Aliança e o seu respetivo culto, sem esquecer as contrariedades causadas pelos povos vizinhos (quinta-feira: «A derrota foi grande»). E também se conta o seu desgosto por, a pedido do povo (sexta-feira: «Dá-nos um rei que nos governe»), ter de ungir um rei, Saul (sábado: «É ele que dirigirá o meu povo»), desgosto esse fundado no temor de, ao ter um rei, o povo se venha a esquecer do único rei: Deus.

Segunda, 11 de janeiro

Abandonada por Deus

«Ana, porque choras?». Como Sara, mulher de Abraão; como Raquel, mulher de Jacob; como a mãe de Gedeão e Isabel, mãe de João Batista, também Ana é estéril. Na cultura do povo bíblico, a esterilidade era considerada uma maldição divina. A amargura de Ana aumenta com as ofensas de Fenena, a outra esposa de Elcana. Nesta situação, Ana perde a autoestima e deixa-se guiar pelo sentimento de tristeza, a sua vida parece não ter qualquer valor. Hoje, a situação de Ana remete o sofrimento de muitas pessoas que se sentem abandonadas por Deus.

Terça, 12 de janeiro

Ousar rezar

«Ana concebeu e deu à luz um filho». Ana vê terminado o seu sofrimento. Mais do que pela criança concebida no seu seio, o seu coração exulta pelo facto de ter sido atendida por Deus. Se ela, antes considerada uma infeliz, encontra graça diante de Deus, nada mais tem a esperar dos outros seres humanos. O seu louvor rebenta com um grito de alegria, um hino que atravessará todos os tempos. Ela não será apenas mãe de uma criança, mas esse filho será também um profeta de Deus. Hoje, quantas «Anas» ousam confiar-se a Deus, no meio dos sofrimentos?

Quarta, 13 de janeiro

Estar sempre pronto

«Falai, Senhor, que o vosso servo escuta». O jovem Samuel dá provas duma notável prontidão ao responder ao sacerdote Eli. Mas é preciso esperar para compreender o chamamento. Até parece que Deus não quer uma resposta repentina! Nas primeiras, o narrador diz que Deus «chamou»; agora, na quarta chamada, diz que Deus «aproximou-se e chamou como das outras vezes». E Samuel, responde com a mesma prontidão. Hoje, vou aliar a prontidão da resposta com o discernimento para saber «escutar» a proximidade de Deus, ao longo deste dia.

Quinta, 14 de janeiro

Vencidos

«A derrota foi grande». Israel parte para a guerra contra os filisteus e perde a primeira batalha. Com o intuito de revitalizar a coragem e obter a vitória, os líderes pensam numa estratégia que lhes parece infalível: levar a Arca da Aliança para a frente do combate. Esta presença estimula efetivamente os israelitas que voltam ao combate, certos da vitória. Mas os filisteus, apesar de impressionados, reorganizam-se e de novo saem vencedores. O fracasso de Israel possui toda a atualidade: Deus não se deixa manipular, muito menos por quem promove o ódio e a violência.

Sexta, 15 de janeiro

Ser igual aos outros

«Dá-nos um rei que nos governe». O povo bíblico sente inveja dos relatos épicos dos grandes monarcas estrangeiros. E decide que quer ser liderado por um rei. Ora, Samuel conhece bem esses reis. Ele sabe que a «grandeza» deles reside no facto de imporem grandes sacrifícios ao povo, segundo os seus próprios interesses. Mas, apesar dos alertas, o povo exige um rei. E Deus dar-lho-á, pois ama o seu povo… como um pai que aceita os fracassos dos seus filhos. Ele sabe que fazem parte da aprendizagem, do amadurecimento. Hoje, Deus continua a respeitar a nossa liberdade.

Sábado, 16 de janeiro

O primeiro rei

«É ele que dirigirá o meu povo».