Tempo Comum | Anos Pares

Livros de Samuel

11. Janeiro. 2016

Nas primeiras quatro semanas dos «anos pares» do Tempo Comum, a liturgia propõe a escuta dos dois Livros de Samuel (primeira leitura). A narração refere-se a cerca de oitenta anos da história hebraica, de 1050 a 970 antes de Cristo, aproximadamente. Nela são referidas três grandes figuras: Samuel, Saul e David.

Nas primeiras quatro semanas do Tempo Comum («anos pares»), a liturgia propõe a escuta dos dois Livros de Samuel (primeira leitura). A narração refere-se a cerca de oitenta anos da história hebraica, de 1050 a 970 antes de Cristo, aproximadamente. Nela são referidas três grandes figuras: Samuel, Saul e David.

No Primeiro Livro de Samuel, a narração é inteiramente do­minada pela figura de Samuel, chamado ainda jovem por Deus a ser juiz de Israel em tempos de crise (1, 1 — 3, 21). Segue-se uma longa narração acerca da Arca da Aliança (4, 1 — 7, 1): a Arca é capturada pelos filisteus, transportada para o campo adversário e, finalmente, regressa para junto dos filhos de Israel. Durante a luta contra os filisteus, o povo pede a Samuel um rei. O profeta opõe-se, mas no fim deve ceder e dar um soberano ao povo. É este o segundo grande momento do livro (7, 2 — 8, 22). Saul é escolhido e ungido como rei (9, 11 — 11, 15) e, no entanto, entre o rei e o profeta não há boas relações: o contraste é tal que Samuel anuncia a sua demissão (12, 1-25) e continua a exprimir ao rei a sua insatisfação (13, 1 — 15, 35). É nessa altura que começa a emergir a figura de David, primeiro na corte de Saul (16, 1 — 18, 5), depois como seu adversário e inimigo (18, 6 — 26, 25). Por fim, Saul morre no campo de batalha (27, 1 — 31, 13) e David torna-se rei (2Samuel 1, 1-5 — 5, 16).

Todo o Segundo Livro de Samuel é dominado pelas peripécias de David. Esta história coloca ao leitor uma pergunta: quem é o verdadeiro rei de Israel? A resposta não deixa dúvidas: o único e verdadeiro soberano é o Senhor; o monarca é simplesmente um plenipotenciário de Deus, um ministro Seu. Surge também a crítica à monarquia, quando esta, em vez de se submeter à Palavra de Deus, se distancia dela. Finalmente aparece o tema do messianismo ligado a David e à promessa que lhe é feita, tema esse que voltará e será sem dúvida interpretado no Novo Testamento, enquanto referido a Jesus.

© Matteo Crimella | Editora Paulus
© Adaptado pelo Laboratório da fé